A violência que assusta os vilhenenses neste começo de ano também provoca reflexos consideráveis no setor empresarial, como era de se imaginar. Acossados pela insegurança de um lado e uma pesada carga tributária do outro – Rondônia tem uma das mais elevadas alíquotas de ICMS do país – comerciantes e outros empreendedores estão vivendo dias difíceis. A situação é assunto de reflexão na Associação Comercial e Industrial de Vilhena (ACIV), conforme relatou o presidente da entidade, Josemário Secco, ao FOLHA DO SUL ON LINE.
Advogado por profissão, Secco (À DIREITA NA FOTO)declarou que a questão da segurança pública sempre mereceu atenção por parte da ACIV. “Em parceria com o Poder Público, realizamos várias ações, inclusive na instalação do sistema de vídeomonitoramento da cidade, e ajuda para custeio de despesas da polícia com combustível e manutenção de viaturas. Agora estamos debatendo uma forma de contribuir para reverter o quadro”. No entanto, assim como a comunidade em geral, os integrantes da associação não sabem ao certo o que podem fazer.
Questionado acerca de avaliar o retorno que o Estado vem dando à comunidade em virtude do que arrecada em impostos, Josemário preferiu não entrar em tal seara: “É uma pergunta pertinente, porém difícil de responder agora”, disse. A ACIV está aguardando dados estatísticos solicitados aos organismos policiais para atestar o suposto aumento da criminalidade, e discute entre os seus membros o que pode ser feito neste momento. “Estamos abertos à comunidade para unir forças, e apoiamos as ações populares organizadas em atos e manifestações que estão sendo articuladas. Os organizadores podem nos procurar para estabelecermos parcerias”, anunciou.
Outros empresários foram ouvidos pelo site para comentar a situação, mas absolutamente todos só falaram na condição de ter os nomes deles e dos estabelecimentos preservados. Mesmo aqueles que jamais se furtaram a deixar público seus posicionamentos em situações de interesse de toda a sociedade, desta vez calaram. Uma das fontes mais “quentes” da reportagem no segmento empresarial apenas falou que os comerciantes estão em apuros (“Uma de minhas lojas foi atacada no ano passado e as cenas do circuito interno mostrando o bandido com uma arma na cabeça de minha funcionária me assustam até hoje”); comerciários não querem trabalhar em determinados turnos de expediente; empreendedores cogitam deixar a cidade; e “eu prefiro não falar nada publicamente, pois temo que se o fizer coloco minha família, meus funcionários e minha empresa na mira dos marginais”.