Aventureiro diz que a irmã matou o próprio pai

Mais uma vez de passagem por Vilhena, o andarilho Adalberto Ariano da Silva é o retrato da situação que aguarda aqueles que conseguem chegar à terceira idade no Brasil. Aos 62 anos, sem família e sem instrução, o mineiro de Governador Valadares admite que não gosta da vida que leva, mas pergunta: “Que outra opção eu tenho?”
Conhecido como “Cabeça Branca”, o aventureiro chegou com a família ainda jovem na região de Pontes e Lacerda (MT). Morando com os pais, sempre trabalhou como braçal em fazendas e teve poucas oportunidades de estudar. Hoje, divide um abrigo improvisado no pátio de um posto de combustíveis com outros sem-teto em Vilhena.
Adalberto conta que, após a morte da mãe, 15 anos atrás, resolveu pegar a estrada. Voltou em casa apenas para ajudar a sepultar o pai, assassinado pela própria filha. “Ele havia sofrido um derrame e foi morto pela minha irmã com a própria bengala que usava”, relembra, informando que o crime aconteceu em Jauru (MT).
Anos atrás, o idoso viu um companheiro de jornada morrer ao tomar veneno. O suicida havia aderido ao seu estilo de vida por também ter sofrido “grandes desgostos”. O próprio Adalberto já esteve perto da morte, quando uma carga de madeiras caiu sobre seu corpo, causando-lhe graves ferimentos na cabeça.
A esperança de “Cabeça Branca” é ser contratado para fazer a única coisa que sabe: roçar pastos em fazendas. Ele admite que poderia ganhar algum dinheiro limpando quintais em Vilhena, mas argumenta que, por causa de sua aparência, ninguém se arrisca a lhe dar ocupação.
A única coisa que acompanha o andarilho em sua sofrida jornada é o colchão rasgado e um saco de plástico no qual carrega algumas poucas peças de roupa. Para se alimentar, tenta pedir esmolas e, quando não conta com a generosidade de ninguém, cata restos de comida no lixo, assim como fazem seus colegas de infortúnio.