No início deste ano, uma das mais antigas lojas no setor de agropecuária de Cerejeiras declarou falência a fechou as portas. Segundo a apuração de uma reportagem do jornal FOLHA DO SUL feita na época, os motivos de a empresa ter quebrado são variados: o dono investiu em imóveis, havia estoque maior que o necessário, venda no crediário de forma indiscriminada, entre outras razões.


Agora, também em Cerejeiras, outra loja saiu do mercado no mês passado. Desta vez é uma empresa no ramo de móveis e eletrodomésticos. A loja ficava no centro da cidade, na avenida Integração Nacional, nas proximidades do semáforo.


Entretanto, esta última empresa que fechou as portas em Cerejeiras apresenta duas características distintas.


A primeira peculiaridade é que ela era uma filial de uma loja regional, com duas empresas, uma em Vilhena e outra em Cerejeiras. Só a filial cerejeirense foi fechada – até agora.


A segunda característica da falência é que, ao contrário da antiga loja de produtos agropecuários, a empresa fechada recentemente apresenta uma única razão para a falência: a internet. O dono da empresa, segundo informações de terceiros, afirma que a concorrência digital minou a sobrevivência do negócio.


Há tempos que os pequenos empresários do setor de eletroeletrônicos enfrentam desafios. O principal desafio dos pequenos empreendedores é a concorrência com as grandes redes de lojas, que compram carretas e mais carretas de mercadorias dos fornecedores por um preço que cai conforme o volume da aquisição e conseguem repassar um preço abaixo da média para o consumidor final. Esta prática das grandes empresas destrói as vendas dos pequenos que não têm capital para bater de frente com esta concorrência desigual.


Agora, as compras digitais pela internet ameaçam pequenas lojas de eletrônicos. Todas as lojas gigantes do passado (que já eram concorrentes) agora estão na grande rede digital. Os preços nas vitrines virtuais são bem mais atrativos.


Uma professora de matemática em Cerejeiras afirma que só compra pela internet. “Já comprei até uma geladeira duplex. Veio pela transportadora. Fiquei tão feliz quando chegou!”, diz a educadora. E explica a razão das compras virtuais. “É bem mais barato”.


Segundo especialistas, as vendas digitais no país começaram com produtos culturais como CDs, DVDs e livros, mas depois avançou para roupas, produtos eletrônicos e até medicamentos. Estudiosos afirmam que, perdendo apenas para a Revolução Industrial na Inglaterra no século 19, a revolução digital foi a que mais causou transformações nas sociedades mundo a fora. A internet alterou todas as relações humanas – incluindo o comércio.


Um empresário da cidade explica o dilema dos comerciantes do setor de produtos de tecnologia. “Só as grandes lojas subsistem, pois elas conseguem praticar o mesmo preço da internet”.


Outro estabelecimento bem perto do que faliu também fechou as portas. Era uma loja bem menor, de propriedade de uma comerciante cerejeirense e atuava no ramo de móveis planejados. Agora, a antiga dona vendeu o restante dos móveis que ainda restava e colocou o salão para ser alugado.


Ela espera que outro empresário tenha coragem de investir em algum ramo e alugue o espaço que era da loja. Talvez um negócio que não encontre concorrência na internet. “Alugar dá mais do que trabalhar o dia inteiro para tentar vender e não conseguir”, explicou a pequena empresária.