Em artigo enviado para o FOLHA DO SUL ON LINE, o professor universitário Sandro Colferai resolveu se manifestar sobre a sugestão do prefeito Zé Rover (PP), que entrevista ao site revelou apoiar a liberação de armas para os comerciantes enfrentaram a onda de violência que assola a cidade.

Em seu texto, o educador (que aparece em primeiro plano na imagem) também critica o mandatário, que recentemente anunciou intervenção na principal avenida comercial da região central para a construção de estacionamentos.

 

Confira abaixo o artigo do servidor dos quadros da Unir em Vilhena:

 

 

Depois do Oscar, o Febeavi

 

"Gênio, Stanislaw Ponte Preta com certeza é um desses caras que com frases curtas abateu muita gente a longas distâncias. O seu Febeapá, o Festival de Besteira que Assola o País, segue mais atual do que nunca. Quase todos os dias nos deparamos com mentes que nos fazem lembrar que nem tudo tem limite, e que com certeza a estupidez humana é uma dessas coisas que segue a galope.  

Nesta até que enfim ensolarada manhã em Vilhena sentei-me diante do computador e abro o primeiro site de notícias local que me dá na telha. E eis que recebo o petardo: “Prefeito defende armas no comércio” está escrito. Fiquei rijo! Olho com mais atenção e lá está a foto do alcaide da Suíça do Norte, sério, como a demonstrar o quão relevante é o que está enunciando. Pronto, pensei no Febeapá, e fui além: cheguei à conclusão que já podemos criar o nosso Febeavi, a fim de homenagear, e premiar os nossos campeões. 

Ato contínuo, lembrei do que li apenas há alguns dias, afinal este é o mesmo prefeito que se deixou fotografar nos canteiros centrais da principal avenida do Portal da Amazônia anunciando que vai acabar com eles para ampliar os espaços para estacionamentos. E, sim, é o prefeito que alardeou há algum tempo que os índices de roubos cairiam com a implantação do BBV, o Big Brother Vilhena, que até agora só conseguiu enxergar moleques chutando portas. Caramba, ninguém pensou que os meliantes conseguem reconhecer câmeras e fazem das suas longe delas!

Agora, como o sofisticado sistema não deu conta, armemos os comerciantes. Se o estado não dá conta de oferecer segurança, o cara que manda no município propõe “justiçar” a bandidagem. Pois eu vou além: que haja cavalos ao invés de carros, e diligências ao invés de caminhões! E a polícia deve se apresentar com estrelas no peito! Caramba, não deveria ter escrito isso: já posso ver o mandatário mor esfregando as mãos e planejando tomar para si minha ideia. 

Mas, o que isso tem a ver com o canteiro central a ser destruído? Ora, propor que nos armemos é só a cereja no bolo da falta de urbanidade que teve seu principal sintoma no meio da avenida, e que vai garantir uma menção honrosa no Febeavi ao nosso empenhado prefeito. Enquanto as principais cidades do mundo buscam novos modelos de planejamento urbano para desafogar o trânsito, o que vemos por aqui é a genialidade reversa que dá mais importância a carros do que a pessoas. 

Mas, o que se esperar de uma gente que cria mini-rotatórias fantasmas, faixas de pedestre no meio do cruzamento de duas rodovias federais, nunca se preocupou com calçadas, e ainda por cima reconduz secretário que deixou clara sua incapacidade em gerir espaços urbanos?

Trocar o pouco verde que há no centro de uma cidade por mais veículos, e achar que armas nas mãos das pessoas é medida de segurança é tudo o mesmo tipo de ideia de jerico que não ajuda em nada, e distancia todos nós daquilo que um gestor público mais deveria defender: a sociabilidade e urbanidade, um espírito de convivência em que a qualidade de vida deve ser a meta a ser seguida. 

Tentar escamotear sob ideias ruins a incompetência para alcançar este ideal garante um lugarzinho no rol Febeaviano, senão do Febeapá. E torçamos todos para que não nos leve de volta para à década de 1970.  

Sandro Colferai não quer nem passar perto do tapete vermelho da premiação!"