Na última segunda-feira,05,  a  Ceron/Eletrobrás adotou uma medida drástica, que está provocando revolta e causando transtornos em dois distritos da cidade de Cabixi. A pretexto de combater ligações clandestinas de energia, a estatal cortou o fornecimento em 36 casas nas localidades de Vila Neide e Vila São João (Hotel Randall), ambas às margens do rio Guaporé.
De acordo com o ex-prefeito de Cabixi, Bau Barroso (PSDB), há doze anos, em virtude da inércia da empresa, ele construiu uma rede elétrica que liga a cidade de Cabixi ao rio Guaporé, com uma extensão de mais de 50 km em ambos os povoados.  Em virtude da ligação clandestina, por dezenas de vezes, Bau oficializou a Ceron pedindo providências para regularizar a situação. Este ano, o líder político, que atua também no segmentode eletrificação, disse ter instalado padrões e doado a rede à própria companhia, para que o fornecimento fosse legalizado.
Como 70% das casas que tiveram o abastecimento suspenso são de pessoas que não moram nos distritos, muitos sequer tomaram conhecimento da situação. O ex-prefeito disse que com a interrupção das ligações, alimentos que eram estocados em freezers e geladeiras estão estragando e o fedor começa a tomar conta das vilas. São muitos os vilhenenses que têm casas na região e usam as residências em pequenas estadias à beira do rio Guaporé.
Bau pretende recorrer à justiça para solucionar o problema. Ele diz que, apesar dos insistentes pedidos dos moradores, a companhia jamais atendeu às comunidades. “E quando resolver se mexer faz uma barbaridade dessas”, denuncia, acusando a Ceron/Eletrobrás de arrancar a rede de energia e levar embora os transformadores, que foram pagos por particulares.
Barroso disse também que não está não é a primeira vez que a Ceron age de tal maneira em Cabixi e afirma que se trata de questão política, uma briga antiga com pessoas aliadas aos seu adversário na cidade. Os atuais vereadores da cidade vizinha chegaram a aprovar uma nota de repúdio contra os atos e palavras do ex-gerente do Escritório da Ceron em Colorado do Oeste quando ele esteve em uma seção pública do Parlamento acusando o então prefeito de não executar as obras do programa “Luz no Campo”
O tucano finaliza afirmando que a Ceron deveria cumprir com seu papel de levar o bem estar às pessoas ao invés de ficar perseguindo (deveria ter ido ampliar mais as redes e não destruir as que estavam feitas) e deixa um aviso a todos os prejudicados e à própria estatal: espera que ainda esta semana sejam devolvidos os materiais do qual ela se apropriou indevidamente. “Mas é preciso devolver também a dignidade das pessoas,  até porque ninguém está pedindo energia de graça à Ceron. A rede que eles destruíra, pertence ao povo e  fomos obrigados a  doá-la para a Ceron. Por causa desta ação, vamos abrir processo e pedir indenização pelos transtornos causados”.