O ex-prefeito de Vilhena, Melki Donadon (PHS), tem viajado com freqüência a Brasília. Aos adversários, ele diz que está cuidando de problemas relacionados à Pequena Central Hidrelétrica (PCH) que está construindo em sua fazenda, a cerca de 40 quilômetros de Vilhena. Já aos aliados, o ex-mandatário revela a verdadeira razão do périplo constante: tenta, na Justiça, derrubar o senador Acir Gurgacz (PDT), que assumiu o cargo na semana passada, após a cassação do titular da vaga, Expedito Júnior (PSDB) pelo TSE. Melki foi o terceiro colocado na disputa pelo Senado, em 2006, conquistando 117 mil votos.

Advogados consultados pelo site acham que, do ponto de vista estritamente jurídico, Melki tem mesmo chances de assumir o lugar de Acir. Já cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Rondônia, por abuso de poder econômico em 2006, Gurgacz conseguiu fazer com que o processo contra ele, que já estava no TSE, retornasse para o Estado. A avaliação de profissionais do Direito de várias tendências é unânime: se for a julgamento, Acir cai. Pesa contra ele, além da ação eleitoral, mais de 200 processos por vários crimes. Tal fato foi amplamente divulgado na imprensa nacional, o que ajuda a enfraquecer o novo parlamentar junto aos ministros do TSE, que vêm punindo com rigor as infrações eleitorais.

O problema para Melki é que a essa altura do mandato, o julgamento do pedetista obedece mais a critérios políticos. A maior dificuldade será fazer o processo contra Gurgacz andar. Se seguir o mesmo ritmo da ação contra Expedito, a investigação pode demorar outros quatro anos.

DE QUEM É A VAGA? – Há quem ache que Melki está trabalhando a toa. Afinal, ao trocar o PMDB pelo PHS, o ex-prefeito teria perdido o direito de herdar o mandato de Acir, caso ele venha mesmo a ser cassado. O mandato, neste caso, ficaria com o PMDB, partido do qual Melki se desfiliou há pouco mais de um mês. O próprio Donadon acha que o mandato lhe pertence, e cita casos de senadores famosos que mudaram de legenda sem perder o cargo. É o caso do piauiense Mão-Santa, que saiu do PMDB para entrar no PSC recentemente. Na mesma situação está o paranaense Flávio Arns, que deixou o PT e migrou para o PSDB, além da ex-petista acreana Marina Silva, atualmente no PV. O www.folhadosulonline.com.br ligou para dois celulares do ex-prefeito, mas ele não atendeu nenhuma das chamadas.