Depois de ter agredido verbalmente e cobrado que o servidor Lázaro Silva de Souza o “idolatrasse” depois que foi aprovada a reforma administrativa, o prefeito Zé Rover (PP) negou que tenha existido o desentendimento. A briga, porém, foi assistida por inúmeras pessoas e foi preciso que um fotógrafo da prefeitura interviesse, pedindo calma ao prefeito, para que a discussão não chegasse às vias de fato.

 

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A assessoria do prefeito usou ontem o site oficial da prefeitura para publicar a seguinte matéria:

 

PREFEITO NEGA DESENTENDIMENTO COM SERVIDOR  

 

Um breve encontro entre o prefeito Zé Rover e servidor Lázaro Silva de Souza, lotado na secretaria de Obras, selou o entendimento entre os dois. O encontro foi na noite desta quarta-feira, 30, durante a reunião do PSDB na Câmara de Vereadores de Vilhena.

No ultimo dia 23, depois da aprovação do projeto de readequação salarial, o prefeito teria discutido com o servidor por causa de comentários de que Lázaro estaria à favor dos vereadores contrários ao projeto. O próprio servidor desmentiu afirmando que não é adversário do prefeito e que nem teria se vendido aos vereadores.

Segundo o prefeito houve um mal entendido e um abraço entre os dois terminou com qualquer especulação da imprensa de que os dois estariam em “pé de guerra”.

 

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A verdade, entretanto, é que de fato houve a briga, como mostrou matéria da Folha do Sul.

 

Veja:

 

Rover agride servidor em praça pública - PREFEITO DISSE QUE OPERÁRIO DEVERIA IDOLATRÁ-LO POR TER AUMENTADO SEU SALÁRIO

 

Logo após a aprovação pelos vereadores da reforma administrativa no Município, o prefeito Zé Rover (PP) comemorou. Ele não quis ir à Câmara e esperou o resultado do lado de fora. Na praça dos Três Poderes, deu entrevista à imprensa e chegou a ser carregado nos ombros por um grupo de trabalhadores satisfeitos com o reajuste salarial.

O inusitado foi uma briga, no meio da praça, entre Rover e o chapeador Lázaro Silva de Souza, lotado na Secretaria Municipal de Obras. Em tom ríspido, o prefeito disse: “Você deveria é me idolatrar. Mesmo sendo beneficiado, foi contra o projeto. Você não é amigo dos seus colegas de trabalho, não. Só quer tumultuar”.

O prefeito chegou a apertar o braço do trabalhador e por pouco não partiu para a agressão física. Um fotógrafo da Secretaria Municipal de Comunicação acenou para que Rover ficasse calmo e ponderasse no discurso. Mas, não adiantou.  Ele falou o quanto quis e se retirou do local sem ouvir o subordinado.

A irritação de Rover teria sido por causa de a vereadora Eliane da Emater (PV) ter feito elogios a Lázaro. “Aquele dia [quando os vereadores não quiseram aprovar os reajustes porque os projetos enviados pelo prefeito haviam sido protocolados em cima da hora], ele [Lázaro] vaiou os parlamentares, mas depois reconheceu que a falha era do prefeito e pediu desculpas. Parabéns pela sua atitude e por ter brigado tanto a favor dos seus colegas”, discursou Eliane, durante a sessão extraordinária desta terça-feira (22). Na ocasião foram aprovados, por unanimidade, os Projetos de Lei 172/2009 e 173/2009 prevendo a reforma administrativa, que consiste em novos  planos carreiras, cargos, salários e vencimentos.

Para Rover, a atitude de Lázaro – de pedir desculpas e dar razão aos vereadores – foi recebida como uma “traição”. Mas o servidor não foi o único a reclamar. O engenheiro eletricista João Bosco Monteiro Gondin, lotado na Obras, era um dos descontentes com as mudanças. Ele criticou Rover por ter não ter incluído os cargos de engenheiro eletricista e engenheiro agrônomo para receber gratificação por produção, como fez com engenheiros civis e arquitetos, dizendo que o prefeito está ferindo o princípio da isonomia que acentua que “todos são iguais perante a lei”.

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OUTRO LADO

“Eu não traí a ninguém”  

Lázaro Silva de Souza ficou feliz ao saber que seu salário seria reajustado de R$ 624,00 para R$ 800. Mas mal teve tempo de comemorar a boa nova. Foi esculachado pela maior autoridade do município, o prefeito Zé Rover, que ainda por cima incitou os colegas contra o trabalhador. 

Procurado pela FOLHA para comentar o incidente testemunhado por várias pessoas, Lázaro disse que ficou “sem entender” a atitude do prefeito. O servidor desmentiu que tenha sido “comprado” pelos vereadores, como acusara Rover.

“Primeiro, eu me manifestei contra os vereadores, mas estava sendo incentivado pelo próprio prefeito, que estava na Câmara naquele dia. Depois, percebi que estávamos [os servidores da Secretaria de Obras] sendo usados e que o projeto estava errado. Então pedi desculpas para eles [os vereadores] para tratar do que interessava, que era o nosso aumento”, explicou Lázaro.

No primeiro dia em que o projeto deu entrada na Câmara, há três semanas, Zé Rover havia liberado todos os servidores da Secretaria de Obras para ir à sessão. Ele os incitou  a vaiar os parlamentares que se recusaram a votar a reforma administrativa sem antes ler a matéria.