A entrevista com o empresário do setor de avicultura Sérgio Fernandes Rodrigues (FOTO), 27 anos, durou exatos 50 minutos na tarde desta quinta-feira (10). Foi tempo suficiente para discorrer todos os detalhes da tentativa de extorsão que teria sido praticada contra ele pelo ex-secretário de Terras, Bruno Pietrobon, e o assessor da pasta, Ademir Alves. Os dois foram presos pela Polícia Federal dia 21 de agosto.
Sérgio reafirmou a denúncia e disse que o que teria motivado a entrevista desta tarde seria o fato de o prefeito Zé Rover (PP) ter baixado ontem (dia 9) um Decreto-Lei proibindo a expansão da área urbana do Município. O empresário entendeu que a medida de Rover seria uma represália por ele ter denunciado Bruno e Ademir que, segundo o denunciante, exigiam R$ 50 mil para dar prosseguimento no processo encaminhado à Câmara de Vereadores.
Ontem, Sérgio se encontrou com o prefeito para tratar do assunto. Ele confirmou que baixou o decreto e que pretende discutir “caso a caso” as questões ligadas às incorporações de terrenos rurais ao perímetro urbano. O empresário adiantou que ingressará na Justiça com um mandado de segurança para garantir o trâmite no Legislativo do Projeto de Lei contemplando sua área de 37,5 hectares. Ele pretende implantar uma granja no local, que fica no Lote 58, nas proximidades de uma estrada aos fundos do bairro Cristo Rei.
GRAVAÇÃO – Sérgio contou que foi dele a ideia de gravar a conversa com Bruno e Ademir. Mas foi a Polícia Federal quem viabilizou o aparato técnico para colher as imagens e o áudio feitos em três etapas, nos dias 18, 19 e 20 de agosto. Nas gravações, tanto Bruno quanto Ademir falaram que queriam R$ 50 mil. Disseram que aceitariam parcelar o montante em duas vezes. A entrada de R$ 20 mil seria dada dia 21 [quando foram presos] e os outros R$ 30 mil no dia em que o projeto entrasse na Câmara de Vereadores.
Ainda segundo Sérgio, Bruno e Ademir chegaram a dizer que outras pessoas já teriam pagado propinas para assegurar benefícios junto à Semter. Os dois denunciados também teriam citado nomes de outros servidores de alto escalão que poderiam dar agilidade ao trâmite do processo. No entanto, o empresário não quis citar nenhum nome.
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