Delegado da PF licenciado e profundo conhecedor do tema, Flori diz que regulamentação ajusta interesses e beneficia toda a sociedade
O prefeito de Vilhena, Delegado Flori (Podemos), afirmou que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a mineração em terras indígenas sob determinadas condições, representa uma verdadeira “revolução” para a questão garimpeira no Brasil.
Considerado um dos maiores especialistas no tema em Rondônia, Flori já atuou nas duas pontas do problema: como delegado da Polícia Federal, lidando diretamente com a repressão, e como representante político de uma região onde o garimpo faz parte da realidade econômica e social. Segundo ele, essa vivência permite uma visão equilibrada e rara do tema.
“Isso teria de vir. Conheço bem os dois lados. Sei dos acertos e dos erros da polícia, assim como dos acertos e dos erros dos interessados. A regulamentação bem controlada ajusta interesses e faz com que todos ganhem: a comunidade, o poder público e o Brasil”, afirmou o prefeito, em tom de comemoração.
Flori ressalta que a grande maioria dos garimpeiros não é formada por criminosos, mas por trabalhadores que buscam sobreviver em regiões historicamente abandonadas pelo Estado. Ao mesmo tempo, lembra que também acompanhou de perto o drama dos povos indígenas, especialmente na Terra Indígena Cinta Larga, onde está localizado o garimpo do Lage, situado dentro do território de Vilhena (e que foi a “causa” da decisão do STF).
Segundo o prefeito, a ausência de regras claras apenas alimentou conflitos, ilegalidade e sofrimento ao longo dos anos. Para ele, a decisão do Supremo inaugura uma nova fase, com mais controle, fiscalização e responsabilidade.
Flori afirmou ainda que a Prefeitura de Vilhena acompanhará de perto as discussões e a implementação da regulamentação, inclusive porque o município tem direito a participação nos resultados da atividade mineral.
Para o prefeito, a decisão do STF substitui o confronto permanente por uma solução institucional, alinhada à realidade amazônica e ao interesse público.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 11 de Fevereiro de 2026, às 07:52