Segundo Fábio Campos, desvios podem chegar R$ 2,4 milhões

O delegado da Polícia Civil em Vilhena, Fábio Campos, um dos responsáveis pela Operação Tríade, que prendeu atuais e ex-secretários municipais em Vilhena na manhã desta sexta-feira, 10, concedeu uma entrevista coletiva no início da tarde e confirmou a prisão do empresário paranaense Rudney Ricardo Rizziolli (FOTO). 

Rizziolli é um dos diretores da empresa Elotech, que presta serviços de informática à Prefeitura de Vilhena e ao Serviço de Autônomo de água e Esgoto (SAAE). Ele foi preso pela manhã, em Maringá (PR). Segundo Campos, uma transferência do empresário para Vilhena está descartada, por enquanto. “Eu enviei uma carta precatória com as perguntas para que ele seja ouvido em Maringá. Para as investigações não é necessário que ele seja trazido a Vilhena”, disse Campos, salientando que no decorrer do processo, se necessário, o judiciário pode vir a pedir a transferência do preso. 

Além do empresário maringaense, a operação prendeu o ex-diretor do SAAE, Josafá Bezerra; o advogado Bruno Pietrobon; o secretário municipal de Administração, Elizeu Lima; o ex-secretário municipal de Comunicação, Luís Serafim; e o servidor Nicolau Júnior. Também secretário de Rover, e igualmente com mandado de prisão decretado, Miguel Severino Júnior não foi encontrado na cidade. Segundo informações ele estaria em viagem para fora do Estado, acompanhando tratamento de saúde do filho. 

Na entrevista, Campos revelou que a Operação Tríade tem base em documentos que vieram do MP e que envolvem basicamente alguns reconhecimentos de dívidas referentes a contratos firmados sem licitações que, somados, giram em torno de R$ 2,4 milhões “São dois pontos principais: o primeiro são despesas geradas de grandes vultos sem licitação, evidenciando crime de acordo com a Lei de Licitações; e isto já está comprovado documentalmente. O segundo: a partir  do momento que você não faz a licitação, burla vários mecanismos de fiscalização, e existem alguns desses processos com indícios de fraude e de direcionamento”, explicou. 

De acordo com o delegado, as investigações acontecem em três núcleos, daí o nome tríade. Os núcleos são SEMOSP, SEMCOM e a empresa Elotech. “Na SEMOSP existem diversas obras com valores significativos realizadas sem licitação; já na SEMCOM, nós temos indícios fortes de fraude; quanto ao terceiro núcleo, o que gira entorna da empresa Elotech, que presta serviços de informática à prefeitura e ao SAAE, temos indícios de que a sua contratação foi feita por meio de uma licitação direcionada”, pontuou. 

Segundo o delegado, a Operação Tríade se interliga com as operações Stigma, da Polícia Federal, e Água Limpa, da Própria Polícia Civil. “De certa forma elas estão interligadas, existem algumas provas que são atinentes a outras investigações, como no caso da Água Limpa, que foi feita no SAAE e que tinha a empresa Elotech como um dos núcleos investigados. Com a investigação Água Limpa nós temos alguns elementos bem veementes de que o contrato dessa empresa com o SAAE, firmado em 2013, com média de R$ 112 mil anuais, e que vem sendo aditivado, foi, na sua origem, feito via licitação dirigida, ou seja, foi um certame montado para que a Elotech fosse a vencedora, e isso é crime de fraude em licitação”, minudenciou.  

Além das prisões, foram feitas buscas nas secretarias de Coordenação Governamental e na Secretaria Municipal de Administração. Documentos foram apreendidos e serão analisados. “Esta etapa da investigação será concluída em dez dias, mas o trabalho não para por aqui, nós temos ainda perícias sendo realizadas, e existem outros elementos que poderão eventualmente gerar novas apurações”, acrescentou. 

Para o delegado, as prisões se justificaram porque algumas das pessoas presas ainda ocupam cargos dentro da administração pública. “Além da própria gravidade e do montante que se tem em jogo de possível desvio ou de elemento de despesa feito sem qualquer fiscalização. Isso foi entendido tanto pela polícia judiciária, quanto pelo MP, que deu parecer favorável aos pedidos de prisão, como também pelo judiciário vilhenense, que concedeu os mandados em razão do entendimento de que, violando a lei, gerando despesas sem licitação e diante dos indícios, esses fatos seriam graves”, concluiu.