O mais conhecido deficiente físico de Cerejeiras afirma que vai abrir uma ação judicial contra a diretora da mais renomada escola pública de ensino fundamental do Estado. O aposentado Wilmo Rios (FOTO), que teve poliomielite na infância e anda numa moto de três rodas para onde vai, também é presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Cerejeiras. Ele afirma que foi discriminado pela atitude da gestora escolar Eneida Kotz, diretora da escola Floriano Peixoto, no centro da cidade.
Segundo o deficiente cerejeirense, o episódio constrangedor que o levou a tomar tal decisão aconteceu na noite desta quarta-feira, 11, num evento de apresentação da chama Noite Cultural. “Eu fui assistir a uma apresentação do meu filho e, quando cheguei lá, pedi uma autorização para entrar na escola, para ficar mais próximo do evento”, disse Wilmo ao FOLHA DO SUL ON LINE. “Acontece que esta moto são as minhas pernas, pois ando sentado no chão e da portaria até ao local do evento é muito longe para eu ir me arrastando de nádegas no cimento”, explica o aposentado.
Ainda de acordo comWilmo, assim que chegou à portaria da escola, ele foi impedido pelo vigilante de entrar com o triciclo adaptado. “Mas eu entendo. O guarda não poderia deixar mesmo, pois ele só cumpre ordens”, diz.
Wilmo afirma que pediu à própria esposa para comunicar à diretora que autorizasse a entrada da motocicleta na escola. “Aí ela nem veio me atender e disse que a moto não poderia permanecer no pátio da escola”, disse.
O deficiente físico cerejeirense afirma ainda que chegou a entrar no colégio com o triciclo. “Eu entrei lá com a moto e, assim que desci do veículo, um funcionário da escola me mandou subir de novo e sair de lá, porque ali a minha moto não poderia ficar. Mas ele não me disse onde ela poderia ficar. Ele não me deu solução nenhuma”.
Ainda de acordo com Wilmo, o que o deixou mais indignado foi que a direção da escola não deixou alternativa. “A diretora poderia ter dito para mim que em determinado local eu não poderia deixar a minha moto, mas também poderia ter mostrado onde eu poderia estacioná-la. Mas não. Euentendi que a minha moto não poderia ficar dentro das dependências da escola. E, como a minha moto é a minhas pernas, eu entendi que eu também não poderia permanecer no recinto”, diz.
O aposentado diz que, por isso, vai entrar com uma ação judicial contra a diretora da escola, a educadora Eneida Kotz. “Eu já procurei a Defensoria Pública de Cerejeiras e estou protocolando uma denúncia no Ministério Público. Isso não pode ficar assim. É uma questão de honra. Fui humilhado na frente de meu filho e das outras pessoas. Além disso, eu preciso defender os deficientes físicos do município que podem estar sujeitos à mesma situação”, afirma.
O deficiente físico mais conhecido de Cerejeiras diz que não pôde assistir a apresentação do filho. “Eu fiquei do lado de fora até acabar. Eu poderia ter chamado a polícia. Mas eu não quis estragar a festa dos outros pais, que não tinham nada a ver com a minha situação”, explica.
A escola Floriano Peixoto é a mais renomada instituição de ensino fundamental de Rondônia, conseguindo a nota mais altano Ideb (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) de 2011 entre todas as escolas do Estado. A escola pontou 6,3 e foi elogiada pelo governador Confúcio Moura (PMDB) nas duas ocasiões em que o mandatário esteve no município. Por ter esse renome, Wilmo diz que esperava outra atitude por parte da direção da instituição. “Uma das coisas que mais me deixou decepcionado foi que uma escola que ensina inclusão e acessibilidade faz uma coisa dessas”.
O FOLHA DO SUL ON LINE vai entrar, ainda esta semana, em contato com a direção da escola Floriano Peixoto. O site está aberto para que qualquer pessoa envolvida no episódio se manifeste sobre o caso.
Autor:
Da redação
Fonte:
FS
Publicado em 12 de Dezembro de 2013, às 13:04