O Defensor Público George Barreto Filho fica num dos extremos quando casos de violência são levados à justiça, “geralmente no papel de um contra todos”, como ele mesmo avalia o ofício. O defensor frisa que sua missão não é “proteger bandidos”, mas sim “proporcionar a justiça na dosagem exata à ação cometida”. O atual estado de violência em todos os bairros chama a atenção dele, mas Barreto ainda considera Vilhena uma “cidade privilegiada”.
O número assustador de homicídios ocorridos neste início de 2015 tem explicação para o defensor: “São casos de acerto de contras entre pequenos marginais, situação advinda de tráfico e consumo de drogas”, estabelece. Na avaliação de George, calcada em seis anos de vivência na função no Estado de Rondônia, o cálculo do percentual de ocorrências graves motivadas por envolvimento com entorpecentes chega a 95%”. “É, no entanto, uma epidemia social que atinge a comunidade em vários aspectos”.
Fruto da desagregação familiar, “a célula mater.”; do desiquilíbrio social e econômico; da falta de perspectivas; e fácil acesso às drogas somado ao volume de dinheiro que circula em torno delas tornam o caminho do crime mais viável no pensamento de muita gente. “E, após entrar no espiral de violência que também faz parte deste contexto, é difícil sair com vida”, argumenta.
Ao contrário de muitos colegas advogados, George Barreto considera que as penas para crimes capitais aplicadas no Brasil são justas. “Mas isso decorre da péssima atuação do Estado na guarda e ressocialização dos apenados. O condenado cumpre pena em condições muitas vezes desumanas – e em desacordo com a Lei – e não existe nada de concreto e positivo no que diz respeito a reintegrar aquela pessoa à sociedade”, discorre. Fechando, ele conclui que “passar seis anos numa masmorra medieval é uma pena muito significativa para quem comete crime de tal gravidade”.
Em sua ótica as leis são boas, porém mal aplicadas. “No caso do Estatuto do Menor é um absurdo”, pontua. Barreto acredita que sem uma articulação de ações que englobem modernização da Educação; amparo social às famílias de forma concreta (“e não com gorjetas”); atenção e apoio aos dependentes, tratando-os de forma diferenciadas aos traficantes; e sem a readequação do sistema prisional “continuaremos a sofrer com a escalada da violência – que em escala comparativa a outras cidades rondonienses e a média nacional ainda é menos contundente, porém precisa ser enfrentada”.
Por isso, o Defensor Público é favorável às manifestações populares, e vai comparecer na que está sendo convocada para o próximo dia 07. “A sociedade tem que se manifestar e cobrar do Poder Público seus direitos. Do mesmo jeito, quem está do outro lado da lei, em confronto com ela, precisa ser tratado partindo do que é legítimo. O advogado de defesa num júri não está defendendo o crime ou o criminoso, e sim fazendo com que a Justiça seja aplicada de forma justa”, encerra George.