Com a clara finalidades de buscar informações que possam, eventualmente, comprometer os empresário Jaime Bagattoli, a Câmara de Vereadores aprovou, por unanimidade, três requerimentos ao prefeito Zé Rover (PP). É que Bagattoli é o presidente da ONG Observatório Social, entidade que tem “incomodado” os vereadores e o próprio prefeito com seguidos pedidos de informações sobre seus atos "suspeitos".
Os requerimentos 068, 069 e 070/2009 referem-se, respectivamente, à nomeação de Kamilla Bagattoli [filha de Jaime] como servidora municipal durante dois anos, aos convênios firmados pelo município com a Embrapa e aos possíveis débitos da Transportadora Giomila junto ao Município.
A atitude dos vereadores é consequência das declarações do prefeito Zé Rover de que Jaime não tem moral para cobrar probabidade dos poderes "porque sua filha foi funcionária-fantasma do município durante dois anos e que o empresário deve mais de R$ 1 milhão e 700 mil em impostos municipais”.
EXPLICANDO – Jaime Bagattoli disse ao www.folhadosulonline.com.br, na semana passada, que constituiu advogado e vai processar Rover, exigindo reparação financeira e retratação. O áudio da entrevista contendo as denúncias já está sendo requerido judicialmente. “O prefeito foi muito infeliz ao tratar de um assunto do qual não tem o menor conhecimento”, reagiu.
Segundo o empresário, suas empresas não devem nada ao município. O que estaria acontecendo, conforme alega, é que desde a administração passada, a prefeitura tenta fazer com que ele pague pela área de 7 hectares que suas empresas ocupam desde 1.974. Jaime alega que tem título de posse do imóvel, emitido pelo Incra, e que há dez anos, embora a lei determine que a prefeitura emita a documentação do terreno, não consegue fazer a regularização.
Bagattoli diz que, no final do ano passado, por pressão do primo, o então prefeito Marlon Donadon emitiu um boleto de R$ 1,5 milhão referente ao valor do imóvel, para que ele pagasse pela desapropriação. “Como é que querem me vender uma coisa que é minha há quase 40 anos?”, esbravejou.
Quanto à denúncia envolvendo sua filha, Bagattoli lembrou que, ao contrário de muitos de seus colegas, sempre fez questão de educar sua família nas instituições locais. Recém-formada em Agronomia pela Iesa, Kamilla Bagattoli teria sido contratada como estagiária pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), que por sua vez tinha um convênio com o município, a quem cabia remunerar os estudantes. “Não foi só minha filha quem fez estágio na Embrapa. Acho que o salário dela não chegava a um mínimo e eu só tomei conhecimento do caso agora”, revela.
De acordo com o empresário, os ataques de Rover são uma reação contra seu trabalho fiscalizador, através do Observatório. “O prefeito parece estar irritado pelo fato de querermos mais transparência na administração. Todos os dias recebemos denúncias anônimas de irregularidades e o nosso papel é apurar. Acontece que, até agora, nenhuma das solicitações que fizemos foi atendida pelo Rover. Estamos tendo que recorrer à Justiça para obter documentos”, denuncia.