Moradores recorrem ao poço amazônico para garantir fornecimento de água
 
A crise hídrica com a qual a população de Cerejeiras foi obrigada a conviver no ano passado acabou elevando a demanda por um tipo de profissional que muitos julgavam já estar em extinção: os furadores de poços.
 
Os “poceiros”, como eles se autodenominam, estão vendo a atividade que exercem voltar a ganhar a importância que tinha no tempo da colonização do município.
 
Em agosto e setembro de 2021, a Caerd, que abastece 40% das residências da cidade, teve de interromper o fornecimento várias vezes, devido a uma severa estiagem, que fez baixar ao extremo a vazão do rio Igarapé Branco (popularmente conhecido como rio Arara). Na ocasião, em alguns pontos da cidade, os cerejeirenses passaram praticamente uma semana sem água.
 
Com medo de outra crise dessas, os cerejeirenses recorrem aos “poceiros”.
 
“Aumentou muito a procura pelos nossos serviços”, disse o poceiro Carlos Rodrigues, conhecido como Carlão (na foto, de camisa), que trabalha com o amigo Adeir Moreira Borges, conhecido como Magrão (sem camisa).
 
Segundo o poceiro, a média de profundidade dos poços na área urbana de Cerejeiras é de 12 a 16 metros para os chamados poços amazônicos, ou seja, os comuns. “Existe também uma diferença de solo nos vários pontos da cidade. Tem lugar que é mais macio para perfurar que outro”, diz Carlão.
 
O preço médio para furar o poço é de R$ 200 por metro perfurado. Para cavar um poço de 15 metros, por exemplo, os poceiros levam uma média de seis dias. No geral, os poços não precisam de manilhas, pois o solo e o subsolo em Cerejeiras são firmes. Apenas na abertura em cima é construído uma “boca” de alvenaria. Os poços são cavados com enxadão e pá, com um lá em baixo cavando e outro do lado de fora, puxando a terra com um balde pendurado numa corda.
 
Segundo estimativas dos poceiros, há uma média de 4 mil poços na cidade. A Caerd estima que existe de 3 a 4 mil residências ligadas às redes. No total, a área urbana de Cerejeiras tem cerca de 5 mil edificações, que vão das residências aos pontos comerciais. “Algumas casas tem a água da Caerd e um poço”, explica Carlão.
 
O poceiro afirma também que após a implantação do projeto de saneamento básico, a água dos poços ficou mais confiável.
 
Para quem estiver pensando em furar um, o poceiro recomenda: “na época de muita chuva não é bom furar poço, pois a água está muito alta e depois vai precisar de um trabalho que chamamos de refunda. E refunda é mais caro”, finaliza.