Garotos têm 12 e 14 anos respectivamente
Tarde de quinta-feira, 31, véspera de ano novo, região central de Vilhena: dois irmãos, com idades de 12 e 14 anos respectivamente, empurram seus carrinhos de picolé. A duplinha animada, apesar do sol forte, garante: estão podendo vender os produtos o dia inteiro porque ambos já passaram de ano na escola.
Segundo o caçula, e também o mais falante, o faturamento é dividido meio-a-meio com a sorveteria. Os dois caminham quatro quilômetros para buscar os carrinhos abastecidos (8, portanto, contando a volta), além dos longos trechos que percorrem para garantir boas vendas.
Quando questionado sobre o pai, o primogênito é de uma sinceridade cortante: “Só conheço por foto. Ele mexe com maconha, essas coisas...”. Enquanto fala, uma vizinha, que conhece toda a história, passa e confirma: a mãe também é dependente e os dois irmãos são criados mesmo é pela avó.
Perguntados sobre o que fazem com o que ganham, os garotos dizem que ajudam a bancar as despesas da casa, reforçando a renda familiar que se resume à aposentadoria da matriarca. E o que sobra? “A gente compra refrigerante e roupas...”
Apesar do esforço, que lhes garante relativa “independência” financeira, os meninos correm sério risco de serem impedidos de continua exercendo a atividade. A Justiça do Trabalho já chegou a condenar empresas na cidade por “exploração” de menores, mesmo as firmas garantindo a eles uma remuneração que parece ser justa. É a lei...