Cruzadas dessastidas podem provocar mutação genética nos animais
 
 Diante da ocorrência de ataques de cachorros pit bull que vêm sendo registrados em vários municípios do Estado, não somente contra outros cães, mas também contra pessoas, a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE procurou um criador da raça em Vilhena, que garantiu que a violência por parte de destes animais se dá por cruzas desassistidas.
 
Criador de Pit bulls desde do ano 2000, o empresário Jance Montenegro relatou que nunca registrou um incidente envolvendo os animas em seu canil, e que a afirmação de que a forma como os cães dessa raça são criados é o que influencia no comportamento agressivo, não é um caso especifico só para eles, pois qualquer cão, independente da raça, que seja criado em um ambiente hostil e estimulado ao ataque, irá atacar.
 
“A princípio, tem algo que muitas pessoas não sabem, mas existem apenas duas variedades na raça Pit bull, que são os puro sangue (tradicionais), que chegam a 30 kg e os monsters, que podem alcançar os 70kg, no entanto, todos são animais dóceis, apesar da aparência já impor medo por si só”, relatou o criador.
 
Ainda segundo Jance, esses animais que são vistos atacando pessoas e outros cães nas ruas, podem ter aparência de pit bulls, mas não são, pois são produtos de cruzas desassistidas com outra raças e que acabam sofrendo uma mutação genética desconhecida, que os leva a sofrer variações de humor instintivamente.
 
“No meio animal é comum os machos se estranharem, por isso não é indicado mantê-los juntos, porém, esses casos em que os cães atacam seus donos é o que de fato prova esse desequilíbrio. Isso não é comum no meio animal, independente da raça, mas a instabilidade emocional devido a mistura de raças de forma desenfreada apenas para procriar e gerar benefícios financeiros, é o problema em si”, concluiu Jance.
 
Já a veterinária Franciele Volante, que atua na profissão há 12 anos, afirma que,  assim como para qualquer raça, a pessoa que se dispõe a ter um pit bull precisa avaliar primeiramente para ver se tem perfil bate com as necessidades do cão, pois cada animal tem seu temperamento: um Pinscher, que é agitado por natureza, também pode atacar, mas com a diferença de que sua mordida não é tão devastadora.
 
“A pessoa que se dispõe a criar um cão com tanta energia e força como é um pit bull, tem que saber que terá que acompanhar o ritmo do animal, pois eles são como as pessoas, que possuem temperamentos e disposições diferentes, com a diferença que somos racionais e podemos moldar nossa personalidade, já o animal não”, afirma a veterinária.
 
Ainda segundo Franciele, em todos os acidentes, não somente com essa raça de cão, em quase 100% a culpa é do dono, pois se for investigar a fundo, o animal é criado em condições inadequadas ao seu temperamento. Esses episódios revelam que a pessoa adota apenas para impor medo pelo tamanho e não se atenta que este precisa dar atenção adequada devido a energia que o cachorro possui.
 
“As pessoas acreditam que o pit bull é um animal para guarda, mas não é. Ele é apenas um animal que assusta, porém, não pode viver trancado em um quintal ou encoleirado, ele requer gasto de energia. O dono precisa praticar atividades físicas com ele, do contrário ficará estressado”, relatou Franciele.
 
A veterinária também acredita que a cruza desenfreada para venda é um problema, mas em grande parte, a falta de conhecimento de quem adota só pela aparência, sem estudar o comportamento da raça, a procedência e principalmente sem avaliar se terá condições de suprir as necessidades daquele cão, é o X da questão.
 
“A pessoa adota e deixa trancado ou bate por não ter paciência. O cachorro não vê gente, não passeia, não vê outros animais. Qual vai ser a atitude dele ao se deparar com isso, que pra ele é novidade? Certamente estranhar”, afirmou a profissional.
 
Por fim a veterinária afirmou que nem todo mundo tem capacidade e personalidade para criar um pit bull e que os ataques que são vistos, certamente é um comportamento secundário ao dos donos.
 
“Apesar de pequeno, o Pinscher não é indicado para quem tem crianças. Você precisa avaliar qual a sua necessidade, realidade e quais são suas expectativas antes de adotar. Há cães para guarda, há cães para prática de esportes e há cães para viver no colo. Basta estudar antes de adotar e ver em qual perfil você se encaixa, para depois não culpar a raça pelo seu comportamento inadequado", concluiu.