O levantamento também mostra que 10,91% da população vilhenense se declara sem religião
 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na semana passada, os dados do Censo Demográfico de 2022, com informações atualizadas sobre a religião nos municípios brasileiros. Em Vilhena, maior cidade do Sul de Rondônia, os números revelam mudanças significativas no perfil religioso da população (VEJA GRÁFICOS ABAIXO).
 
De acordo com os dados, os evangélicos agora representam o maior grupo religioso do município, com 41,74% dos moradores se declarando seguidores dessa fé. Esse número supera a proporção de católicos apostólicos romanos, que ocupam a segunda posição, com 39,65% — uma inversão em relação aos dados de décadas anteriores, quando o catolicismo era predominante na cidade.
 
O levantamento também mostra que 10,91% da população vilhenense se declara sem religião, enquanto 6,33% seguem outras religiões. O espiritismo aparece com 0,83%, e as religiões de matriz africana (umbanda e candomblé) somam 0,33%. Já as tradições indígenas foram registradas em apenas 0,03% dos entrevistados. Outros grupos minoritários incluem os que não souberam informar (0,01%) e os que não declararam nenhuma crença (0,18%).
 
Apesar do crescimento evangélico ser uma tendência nacional — com aumento de 5,2 pontos percentuais em 12 anos — o caso de Vilhena chama atenção por já refletir essa virada. O catolicismo, embora ainda muito presente, vem perdendo espaço: em nível nacional, caiu de 99,7% em 1872 para 56,7% em 2022, o menor índice já registrado na série histórica.
 
MUDANÇAS
Complementando os dados divulgados pelo IBGE no Censo Demográfico de 2022, uma comparação feita pelo FOLHA DO SUL ON LINE com os resultados de 2010 revela mudanças expressivas no perfil religioso da população de Vilhena ao longo da última década.
 
O grupo evangélico foi o que mais cresceu em números absolutos: passou de 27.441 fiéis em 2010 para 34.111 em 2022, um aumento de 24,3%. Esse crescimento consolidou os evangélicos como o maior grupo religioso da cidade, ultrapassando os católicos, que apresentaram queda de 10,5%, passando de 36.194 para 32.407 adeptos no mesmo período.
 
Em Rondônia, Vilhena é a vigésima cidade mais evangélica, sendo Espigão do Oeste a que tem a maior porcentagem de protestantes no Estado, somando 49,12%. Por outro lado, três cidades do Cone Sul estão no topo do ranking dos municípios mais católicos de Rondônia: Pimenteiras do Oeste (a 1ª colocada no Estado), com 61,41%, Corumbiara com 57,99% e Cabixi com 56,79% de católicos. Esta última detém ainda o título de cidade com a menor porcentagem de "sem religião", 4,3%.
 
Outro destaque foi o crescimento expressivo do grupo classificado como “outras religiosidades”, que teve um salto de 156,4%, saindo de 2.017 seguidores em 2010 para 5.172 em 2022. Esse grupo pode incluir religiões orientais, neopagãs, judaísmo, islamismo, entre outras não especificadas nos principais blocos religiosos. Vilhena é a cidade em Rondônia que tem a maior parcela de sua população neste grupo, totalizando, 6,3%.
 
As religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, também apresentaram crescimento significativo: 51,4%, passando de 179 para 271 praticantes. Já o número de pessoas que não souberam informar sua religião subiu quase pela metade: de 101 para 151 (49,5%).
 
Por outro lado, algumas crenças apresentaram redução. Os sem religião, que em 2010 somavam 9.401 moradores, agora são 8.918 — uma queda de 5,1%. O espiritismo também registrou leve recuo, de 733 para 681 seguidores (-7,1%). O grupo mais afetado, no entanto, foi o das tradições indígenas, que caiu de 135 para apenas 21 pessoas — uma redução drástica de 84,4%.
 
Uma distorção nas duas comparações envolve a faixa etária considerada: em 2010, toda a população residente, 76.201 pessoas, foi enquadrada em alguma religião ou categoria do censo religioso, mas desta vez, em 2022, até o momento, há dados apenas de pessoas com mais de 10 anos, que em Vilhena somaram 81.732 em 2022.
 
De qualquer forma, esses dados revelam não apenas mudanças estatísticas, mas tendências culturais e sociais que indicam maior pluralidade religiosa e uma possível descentralização de influências tradicionais. A diversidade de crenças é cada vez mais visível em Vilhena, exigindo das lideranças políticas, religiosas e educacionais uma leitura atenta dessas transformações para promover políticas públicas mais inclusivas e respeitosas à multiplicidade de fé presente na sociedade.