As enxurradas desse período de chuvas abriram enormes crateras em algumas ruas dos loteamentos Cidade Jardim I e II. As valetas deixaram os moradores praticamente impedidos de saírem de casa, e em alguns casos o morador tem que entrar pela rua dos fundos e passar por dentro do lote do vizinho para poder chegar em sua residência.
A reclamação dos moradores é do abando por parte da imobiliária responsável pelo empreendimento e da Prefeitura de Vilhena, que não executam, segundo eles, ação alguma para pelo menos amenizar a situação.
O fato é que a profundidade dessas crateras, principalmente na rua 1504 e na avenida Odete Zafanelli, do Cidade Jardim I, chega a mais de um metro. As tubulações de água estão expostas e, de acordo com moradores, por muitas vezes já se rompeu pela força das enxurradas, deixando muitas casas abastecimento. Alguns donos de imóveis no local afirmam que já cobraram da imobiliária uma solução para o problema, mas até o momento nada foi feito.
Para piorar a situação, devido às crateras, os caminhões que recolhem o lixo não passam pelo local a cerca de três meses, e alguns moradores estão jogando os resíduos nas valetas e até na mata que fica próxima do loteamento.
Falando especificamente sobre o loteamento Cidade Jardim I, visto que o Cidade Jardim II ainda está em fase de implantação, os problemas no local são muitos. Segundo o corretor responsável pela venda do loteamento, Domingos Romagna, a imobiliária fez o projeto, que foi aprovado pela Prefeitura. A empresa também concluiu as obras de cascalhamento, e instalação de água e energia, doando a rede de distribuição e o encanamento à Ceron e ao Saae. A Prefeitura se recusa a receber o loteamento, alegando que o empreendimento não estaria concluído. Isso devido à falta de conclusão de uma rua, a 1504, que deveria passar margeando uma mata existente no local. A imobiliária afirma que foi impedida de concluir a tal rua por intervenção do Ibama em proteção da vegetação daquela área.
A alegação da Prefeitura para não fazer a manutenção das ruas e avenidas do Cidade Jardim I é que a área ainda está sobre a responsabilidade da imobiliária e que o poder público não teria responsabilidade alguma sobre tais vias. Mas, a mesma prefeitura que se nega a recuperar as ruas e avenidas da localidade já cobra há dois anos o IPTU dos imóveis da região.
Outro problema é que a erosão que abriu a enorme cratera da rua 1504 foi causada pelas fortes enxurradas, águas que vem descendo desde o Setor 19 e que deveria, pelo menos uma parte, ser colhida pelos bueiros da avenida Melvin Jones, mas que todos sabem que não acontece. Aliás, o sistema de escoamento da Melvin Jones nunca foi solução, sempre foi problema. Naquele trecho os alagamentos que se repetem a cada chuva mais forte.
Para os moradores, se medidas urgentes precisam ser adotadas, “porque o que está em jogo são seres humanos, trabalhadores que suaram para poder ter uma casa, um lar”. Muitos ainda estão pagando pelo imóvel. “Essas pessoas querem o mínimo de consideração, querem apenas o que lhes é garantido por lei que é o direito a moradia digna e o direito de ir e vir”, revolta-se um dono de imóvel na área afetada.
Na tarde de sexta-feira (18), a imobiliária acenou com um inicio de resolução do problema ao menos para a avenida Odete Zafanelli, onde um caminhão despejou uma carga de cascalho para o aterramento da cratera. Domingos afirmou que aquele buraco será tampado nos próximos dias. Mas não garantiu nada sobre o da rua 1504.