Um grupo com cerca de 150 famílias camponesas, que se declaram sem-terra, ocupou, na noite do último sábado, 25, a terceira e última parte da Fazenda Santa Elina, em Corumbiara, a mesma que fora palco de um terrível massacre em agosto de 1995.


O FOLHA DO SUL ONLINE entrou em contato com um agricultor próximo à liderança do movimento de liga camponesa e confirmou a ocupação da propriedade.


De acordo com informações passadas ao site, a fazenda Santa Elina, a original, foi dividida em três partes iguais alguns anos depois do massacre. “A primeira parte o governo distribuiu a familiares das vítimas. A segunda foi ocupada há dois anos e o governo distribuiu entre novos camponeses. E a terceira e última parte foi ocupada agora”, diz uma a fonte próxima à entidade que orquestrou a ocupação.


A fazenda ocupada, que foi desmembrada da Santa Elina, tem cerca de 600 alqueires e, segundo informações de agricultores da região, ostenta algumas benfeitorias.


As informações passadas ao site até o momento dão conta de que a liderança dos sem-terra já está comunicando ao dono da área sobre a ocupação para orientar o proprietário a negociar a propriedade com o governo.


“A fazenda tem multas ambientais e dívidas de financiamento. Acreditamos que seja do interesse do dono negociá-la com o governo federal”, diz o entrevistado, que preferiu se manter anônimo.


Ainda de acordo com informações passadas ao site, órgãos do governo especializados em assuntos agrários já estariam sabendo da ocupação.


O site enviou uma pergunta à liderança sobre o ânimo dos camponeses, uma vez que a área já foi alvo de um confronto sangrento entre sem-terra e policiais quase duas décadas atrás. O questionamento é se há, entre os invasores, o medo de que algo semelhante possa acontecer de novo. “Isso não nos preocupa. Não vemos a menor chance de um novo massacre se repetir”, foi a resposta passada, intermediada pela fonte.