Mensagem escrita em Bíblia pode ajudar a localizar o menino doado
 
Na manhã do último sábado, 27, o FOLHA DO SUL ON LINE recebeu a curiosa mensagem de uma moradora da cidade de Ji-Paraná, que resolveu contar uma história impressionante envolvendo o marido dela e seus irmãos, que moraram em Vilhena na década de 1980.
 
Para se certificar quanto à veracidade do relato, a reportagem entrou em contato com a auxiliar de cartório Rosenilda Pereira Custódio Santos. Aos 37 anos, a servidora pública está há mais de 10 investigando um mistério de quase quatro décadas, que aconteceu em Vilhena.
 
Segundo a cartorária, naquela época, o sogro, José Custódio (FOTO), motorista do antigo DNER, trabalhava no 5º BEC, instituição ligada ao Exército, responsável por várias obras em Vilhena. Um dos bairros da cidade (5º BEC) inclusive é uma homenagem à instituição militar.
 
Rosenilda conta que, como não tinha condições de criar os 16 filhos que teve, José doou os três mais novos, numa época em que a adoção não exigia tantas formalidades. Das duas meninas doadas, uma foi acolhido por pioneiros e ainda mora em Vilhena. A outra se mudou com os pais adotivos para o Rio Grande do Sul, onde permanece morando atualmente.
 
O grande desafio é encontrar o garoto, o caçula da família, que foi entregue para adoção após a mãe dele morrer. Com graves problemas de saúde, ela foi levada para Porto Velho e, em seguida, transferida para Manaus (AM), onde aconteceu o falecimento.
 
A “investigadora” esteve em Vilhena na semana passada e encontrou um rapaz que pode ser o garoto “desaparecido” e que, na época, tinha o nome de Moisés. Ele disse sentir que é mesmo o menino que foi entregue por José.
 
Ocorre que uma das filhas de José, hoje residindo em Corumbiara, argumentou que “não sentiu” que esse homem encontrado é seu irmão. Quando a mãe precisou viajar, foi ela quem amamentou o garotinho.
 
Dos 16 filhos de José, apenas dois são falecidos, um homem e uma mulher.
 
Rosenilda também procurou uma professora aposentada, ao saber que ela teria adotado a criança entregue pelo sogro, mas a educadora, segundo a entrevistada, se esquiva dos questionamentos, alegando que jamais acolheu um menino.
 
Outra pista surgiu após a descoberta de uma mensagem deixada por José na contra-capa de uma Bíblia hoje em poder de uma de suas filhas. “Ele escreveu que o caçula tinha sido entregue para um homem conhecido como Tenente Maiolino”, diz a cartorária, que agora tenta localizar o militar. Ela chegou até a printar a postagem do historiador Júlio Olivar, publicada num grupo que preserva a memória de Vilhena e na qual Maiolino aparece (VEJA NA IMAGEM SEDUNDÁRIA).
 
Disposta a realizar o sonho do marido e dos irmãos dele, Rosenilda já juntou os mais de R$ 5 mil para pagar pelo exame de DNA em laboratório. O resultado indicará se o rapaz que diz “sentir” ser da família Custódio, está certo.