Mais uma vez um caso de conflito agrário gera tensão no Cone Sul do Estado. A situação ocorre em Chupinguaia, na região do distrito de Novo Plano. Posseiros, que já foram retirados três vezes da mesma fazenda,  ameaçam invadir a propriedade de novo.

A Fazenda São Domingos pertence ao produtor Maércio Sartor, pioneiro da região. Segundo informações de moradores das proximidades, o mesmo grupo de pessoas invadiu a área três vezes nos últimos tempos. Os posseiros somam cerca de 40 pessoas, e a ultima desocupação aconteceu na semana passada (FOTO PRINCIPAL). Apesar do aparato policial e da presença de oficial de Justiça, houve resistência, mas a desocupação acabou sendo pacífica. Um dos líderes tentou sair, mas foi seguido pela PM e abordado (FOTO SECUNDÁRIA). Ele se chama José Antônio Vieira, e segundo informações não oficiais, possui propriedades na mesma região e em Colorado do Oeste.

No entanto, os invasores não deixaram as imediações da propriedade, e há rumores de que atacarão de novo. Enquanto isso há “anarquia e arruaça em ações contra a propriedade”, afirma Gustavo Sartor, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Vilhena Chupinguaia. Ele garante que estão acontecendo cortes na cerca da fazenda, furtos e ameaças. “Creio que será necessária outra intervenção das autoridades para asseguraros direitos do dono da propriedade”, prevê.

O líder rural disse ter ficado surpreso com a reação dos invasores na desocupação recente. “Eles desdenharam da decisão judicial e puseram em dúvida a autenticidade dos documentos da propriedade, que foram aceitos pela Justiça e encaminhas anexo à liminar judicial para a desocupação, com um deles afirmando que ‘papel aceita tudo’. Em minha opinião foi uma afronta à ordem”, considera Gustavo.

Sartor disse que a questão dos conflitos agrários acontece por culpa do governo, "que não faz a sua parte direito, e oportunistas que usam uma  massa de pessoas excluídas para fazer política”, argumenta. Prosseguindo, Gustavo emenda que “o modelo usado por invasores já nasceu, fracassou e morreu no mundo inteiro. Só aqui no Brasil ele acontece ainda”. E arremata criticando o governo, que usa modelo de reforma agrária sob o viés político e não econômico. “O que a política divide, o capital acaba reagrupando, pois estas pessoas que são usadas nas invasões não tem vocação ou conhecimento para manter a propriedade”. 

Finalizando, ele declarou que comprovar o que diz é fácil: “É só ir aos assentamentos feitos pelo INCRA nos últimos anos lá mesmo em Chupinguaia e conferir quantos dos assentados permanecem ainda na terra”, encerrou.