O bloqueio temporário das atividades da TelexFree em todo o território nacional irrita investidores do Cone Sul que acreditaram na empresa. Até o momento em que esta reportagem foi escrita e publicada, todo cidadão brasileiro que tem dinheiro investido no empreendimento está proibido de fazer qualquer retirada. Também está proibido de cadastrar novos investidores.
As atividades da TelexFree estão bloqueadas por determinação de órgãos de justiça do Acre. A juíza de Rio Branco, Thais Khalil, determinou a suspensão de todos os pagamentos e cadastros dos investidores da empresa em nível nacional. O bloqueio foi feito porque a justiça está investigando um suposto esquema de pirâmide financeira na empresa.
Estima-se que a TelexFree tenha um total de 1 milhão de cadastrados no Brasil.
Em Cerejeiras, por exemplo, investidores já estão mostrando irritação com a decisão da juíza acreana (aliás, há informações de que a magistrada sofreu várias ameaças de morte no Estado vizinho).
Um administrador cerejeirense, que não será identificado, investiu cerca de R$ 10 mil na empresa e um dia depois as transações da TelexFree foram bloqueadas. O investidor não recebeu um tostão do que investiu.
Existem outros investidores que pelo menos receberam o retorno investido. Para estes, a crise é outra. É que o dinheiro que recebiam semanalmente, e que seria permanente, segundo as promessas da companhia, não está vindo mais.
No vácuo da crise da TelexFree outras empresas que têm tudo para serem do mesmo ramo prosperam. Entre elas estão a Bbom, Priples e Multi Click.
A reportagem tentou apurar se os novos investidores destas empresas mencionadas são egressos da Telexfree, mas não foi possível contatá-los.
Mas o que se pode obsevar com toda certeza é o descontentamento dos investidores da empresa por causa do bloqueio da justiça. Não há um momento sequer que um dos investidores não estejam comentando o assunto uns com os outros.
O ânimo dos investidores (pelo menos os observados pela reportagem em Cerejeiras) começou a esvanecer depois da reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, no último domingo.
Um homem de 52 anos que mora em Cerejeiras, e que investiu R$ 40 mil na empresa e tinha recebido R$ 20 mil até o bloqueio, até faz uma piada com a situação. “A TelexFriou”, diz, fazendo um trocadilho que dá a entender que “a TelexFree esfriou”.
Por outro lado, há investidores no Cone Sul que esperam que o bloqueio da empresa seja só uma fase e que logo as atividades do empreendimento serão liberadas.
Em Porto Velho, na capital, o escritório de representação regional da TelexFree está fechado. Uma leitora do FOLHA DO SUL ON LINE, que mora em Cerejeiras mas está na capital, tirou esta foto do escritório da empresa e enviou à reportagem, comentando. “Está sempre assim. Toda hora que passo aqui está fechado”.