A abrangência cada vez maior da presença da lavoura no interior do Cone Sul, principalmente de milho e soja, não prejudicou a pecuária num primeiro momento. Mas, segundo pecuaristas, as mudanças estão vindo no decorrer do tampo – e para pior, do ponto de vista de quem opta pela criação de gado.
A primeira consequência, segundo criadores, e o preço da terra. Este assunto, inclusive, já foi noticiado tanto neste site quanto em sua versão impressa, o jornal FOLHA DO SUL. Na década de 1980, o alqueire de terra na região de Colorado e Cerejeiras custava o valor correspondente a uma cabeça de bezerro. Hoje, são necessárias 40 reses de bezerros para comprar o mesmo alqueire, que pode chegar a R$ 30 mil.
Agora, outra consequência do avanço da lavoura na região sul é mais dramática. Segundo criadores, já começa a falta gado para repor os animais que são enviados para os frigoríficos.
O pequeno pecuarista Isaías Nascimento ganhou a vida comprando e vendendo gado. Quando era gerente de uma fazenda, Isaías ganhava R$ 5 (cinco) por cabeça de bezerros que conseguia comprar para o patrão. De pouco a pouco, ele formou o seu próprio rebanho e deixou de trabalhar para fazendeiros. Já sendo quase um especialista no assunto, Isaías afirma que está ficando mais difícil encontrar gado novo na região de Cerejeiras. “Está difícil achar bezerros bons para comprar. Já subiu uns R$ 50 por cabeça e está quase sendo necessário trazer gado de fora, como era no passado”, afirma o pecuarista.
No momento, um bezerro macho em Cerejeiras está custando R$ 650, mas pode chegar a R$ 700, devido à falta de oferta. É importante notar que o preço do gado no frigorífico não subiu nesta proporção, sendo que houve valorização somente no gado novo, que é o animal de reposição do rebanho.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
FS
Publicado em 19 de Julho de 2013, às 15:06