Conforme o FOLHA DO SUL ON LINE publicou hoje pela manhã, não têm sido grandes, até agora, no comércio de Vilhena, os impactos decorrentes do fim das atividades da TelexFree na cidade. Embora muita gente tenha perdido dinheiro com a suspensão das operações da companhia, as lojas não foram afetadas.
Mas o mesmo não acontece em cidades do Mato Grosso, onde há relatos de municípios que entraram em recessão após a justiça do Acre proibir a TelexFree de continuar atuando.
Abaixo, o relato do repórter Luiz Bacanello, que percorreu pequenos municípios do Estado vizinho ouvindo queixas de gente que perdeu dinheiro na empresa.
A Telexfree causou verdadeiros estragos em Mato Grosso. As cidades de Paranaíta, Apiacás, Nova Monte Verde e Carlinda, que junto com Alta Floresta e Nova Bandeirantes, que compõem o chamado Vale do Tapajós, também sofrem com a falta do dinheiro bloqueado pela Justiça do Acre. Fontes revelam que em cada uma das cidades, provavelmente mais de R$ 1 milhão deixaram de circular com o bloqueio e refletem na queda das economias local. Calcula-se que R$ 10 milhões deixaram de circular.
“Se essa TelexFree não voltar, estou lascado. Primeiro eu investi R$ 600,00 e por ultimo investi R$ 3.000,00. Ainda bem que está chegando a safra da manga, senão estaria lascado mais ainda. Fiquem com Deus, meus amigos, e vamos esquecer de uma vez por todas essa TelexFree. Nunca mais”, desabafou Ilson Souza, morador da cidade de Nova Bandeirantes, no Norte de Mato Grosso, em mensagem também à empresa.
As palavras de quem confiou que sua vida sofreria uma mudança radical refletem a realidade de bilhões de reais bloqueados pela Justiça, que acusa a empresa de constituir-se em pirâmide financeira. O sócio e diretor de marketing da TelexFree, Carlos Costa, nega.
Entre acusações, críticas e dinheiro parado segue a história de pessoas que acreditaram no ganho fácil e que hoje amargam uma violenta crise financeira. Na cidade, desabafos aparecem de todos os lados. “Meu cunhado rodou em 3 mil, deixou de comprar sapato para o filho para investir”, diz um metalúrgico que aplicou parte do salário e esta na mesma situação. São 27 mil de um empresário, 35 mil de um corretor, 3 mil de um sitiante, 100 mil de um comerciante.
“Se for dar a lista completa da cidade, ultrapassa 1 milhão,” afirma outro novabandeirantense, em longa conversa embaixo de uma arvore na Rua A 1 em Alta Floresta, ao relatar a situação.
“Vendi minha moto por 3 mil, apliquei na TelexFree. Estou ferrado, nem recebi nada. Não deu tempo. Acho que o dinheiro que aplicamos a Justiça deveria mandar eles devolver e não bloqueá-lo. Moro em Alta Floresta, mas sei de parentes e amigos de Paranaíta e Carlinda que investiram dinheiro”, diz outro investidor que revela que em Alta Floresta se estima ter sido “aplicados” mais de R$ 6 milhões pelos divulgadores.
Com atividades suspensas, a empresa está impedida de realizar novos cadastros de divulgadores e pagamentos aos já cadastrados até o julgamento final da ação, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. Nove tentativas de reverter a decisão que bloqueou cadastros e pagamentos foram feitas pela empresa junto a Justiça, porém a mesma não conseguiu obter êxito em nenhuma.
Concedida pela Justiça do Acre a liminar que bloqueia as atividades. No dia 24 de junho o desembargador Samoel Evangelista nega o primeiro recurso contra a liminar. Dai para frente uma sucessão de problemas judiciais. Em 2 de julho, a ministra Isabel Galloti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nega medida cautelar dos advogados contra a liminar. 8 de julho, a 2ª Câmara Cível nega o segundo recurso. Em 10 de julho foi negado o terceiro recurso contra a liminar. No dia 12 de julho, a desembargadora Eva Evangelista nega 2º mandado de segurança (quarto recurso) contra a liminar. 19 de julho, novamente negado a tentativa de desbloqueio.
Passados mais alguns dias, em 24 de julho, o Pleno do Tribunal de Justiça do Acre nega agravo de instrumento (sexto recurso) contra a decisão do desembargador Adair Longuini. 29 de julho, a 2ª Câmara Cível nega embargos de declaração (sétimo recurso) contra a negativa do agravo regimental (segundo recurso).
Agora, os autos do processo envolvendo o caso da empresa TelexFree passarão a tramitar em segredo de Justiça. A decisão foi tomada pelo desembargador Samoel Evangelista, na quarta-feira, 31. A decisão atende a um pedido feito tanto pelo Ministério Público do Estado (MPE-AC) como pelos advogados da TelexFree que pediram a garantia de confidencialidade das informações alegando que nos autos constam dados bancárias e fiscais que possuem sigilo garantido pela Justiça.
As atividades da TelexFree, nome fantasia da empresa Ympactus Comercial Ltda., estão suspensas desde o dia 18 de junho por decisão da Justiça do Acre. A empresa é investigada por suspeita de ser um esquema conhecido como pirâmide financeira.