A maioria dos postos de combustíveis do município adotou a chamada “promoção para pagamento em dinheiro”. O cliente que pagar a conta, mesmo com o cartão de débito, considerado à vista, não tem direito ao desconto da promoção e é obrigado a pagar de R$ 0,02 a R$ 0,10 a mais pelo litro de combustível [as tais promoções contemplam vezes o álcool, outras a gasolina ou diesel].
A alegação de alguns empresários da cidade, quanto à atitude de não proporcionar descontos para o usuário de cartões, é que eles arcam com as taxas de administração do cartão que varia entre 2,5% e 4% sobre cada venda, além da taxa de aluguel da máquina que gira em torno de R$ 80 mensais. Os consumidores se defendem dizendo não ter culpa pelas facilidades de venda oferecidas pelos estabelecimentos comerciais.
Os órgãos de defesa do consumidor rebatem o argumento dos comerciantes e consideram que o ônus pelo venda pelo cartão é da empresa. Acrescentam que faz parte do risco do negócio. Mesmo considerada prática abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor, grande parte das pessoas se submete às regras do mercado e sai sem o desconto. Conforme Anísio Ruas, gerente do Procon de Vilhena, pagamento com cartão de débito, que é pagamento à vista, pois cai direto na conta da empresa, não deve haver diferenciação de preço. “Se o consumidor se sentir lesado, pode procurar o Procon, pois isso é uma prática abusiva”, disse. “O consumidor pode trazer o comprovante de pagamento com o valor que pagou e o valor que deveria ter pago. Seja posto de combustível ou qualquer outro comércio, será notificado. Quem deve arcar com as despesas de taxas administrativas é a empresa e, não o consumidor”, disse.
A iniciativa promocional já virou mania na maioria dos postos do município. Alguns estabelecimentos do centro anunciam um valor e quando o cliente vai pagar com cartão de débito, descobre que é até R$ 0,10 mais caro. Em um dos posto pesquisados pela FOLHA, o litro do diesel custava R$ 2,16 com pagamento à vista no cartão, e R$ 2,13 em dinheiro.
O desconto pode parecer pequeno, mas faz diferença no bolso do consumidor. Para os carreteiros, por exemplo, que têm veículos que comportam cerca de 800 litros de óleo. Com desconto de R$ 0,03 por litro eles acabam economizando cerca de R$ 24 por tanque abastecido.
O motorista Marcos Lopes, que está no “trecho”, como diz, há 20 anos, não concorda com a atitude das empresas. Mas como sempre anda com um pouco de dinheiro, acaba por economizar a cada abastecimento. “Mas andar com dinheiro no bolso é sempre arriscado para quem anda boa parte do tempo nas estradas”, expõe.