Pelo menos 27 trabalhadores que viviam em condições de escravidão, segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRT) em Rondônia, em uma fazenda no município de Chupinguaia, foram liberados por auditores fiscais do trabalho na semana passada. A equipe contou com o apoio da Polícia Federal (PF). Os proprietários da fazenda foram notificados.
De acordo com o auditor fiscal do trabalho Juscelino Durgo, cinco menores também estavam no grupo e trabalhavam em uma plantação de árvores. "O pagamento deles era feito em cheque e esse trabalhador não tinha como sacar o cheque, tinha que descontar com um agiota na região e era cobrado até 50% do valor", explica Juscelino.
O fato foi descoberto enquanto os auditores fiscalizavam uma área próxima ao local. Os homens dormiam em pedaços de espuma, no mesmo galpão onde eram armazenados produtos tóxicos. Um curral também funcionava como alojamento.
"Em tese o empregador disse que o local é um alojamento, mas aquilo não é considerado pela legislação como alojamento por que alguns trabalhadores dormiam no chão", disse Juscelino.
Os homens foram ouvidos na Agência Regional do Ministério do Trabalho de Vilhena e reclamaram de maus tratos. “Teve um menino que pediu para ir embora e ele não deixou", disse o trabalhador que não quis se identificar.
Um menor, do município de Urupá (RO), diz ter se arrependido de sair de casa para trabalhar na fazenda. Ele relata que a comida era pouca e que os doentes não recebiam remédios. "Um amigo meu estava passando mal e teve que trabalhar a força. Eu já trabalhei doente", afirmou o menor.
O advogado que representa os fazendeiros não quis se pronunciar sobre o caso.
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Fonte:
G1
Publicado em 17 de Dezembro de 2012, às 11:04