Como já foi noticiado pelo jornal FOLHA DO SUL em edição recente, um réu que não anda e não fala foi condenado pelo Tribunal do Júri a 15 anos de prisão em Cerejeiras. Azuílo Neres Assunção é acusado de matar a esposa com 40 facadas na rodoviária da cidade há sete anos, em 2006. Os jurados consideraram o réu culpado de homicídio qualificado, ou seja, assassinato com agravantes.
O acusado, que foi levado a júri popular, estava completamente paralisado por um grave derrame cerebral. Azuílo Assunção, hoje passando dos 50 anos, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) depois de ser preso. Segundo um laudo médico anexado ao processo, ele não fala, não anda nem fica de pé. Mesmo assim, o réu foi condenado pelo crime que cometeu quando ainda era saudável.
Entretanto, um episódio acontecido no dia do julgamento passou a complicar ainda mais a situação do acusado. Num dos intervalos do julgamento, ele foi levado ao banheiro do Fórum de Justiça de Cerejeiras (FOTO) por pessoas que o auxiliavam. Minutos depois, um oficial de justiça entrou no toalete onde Azuílo estava. O susto foi grande quando o oficial encontrou o homem em pé, firmado sobre as pernas.
Ao ser informada pelo oficial sobre o ocorrido, a magistrada que conduzia o julgamento anexou à decisão da sentença judicial um mandado para que mais exames médicos fossem feitos no acusado e registrou o episódio do banheiro na sentença final proferida contra o réu. Logo depois do julgamento, Azuílo foi levado ao hospital do município para passar por uma bateria de exames que terão valor judicial.
Depois de terminado o julgamento, Azuílo foi levado ao Hospital São Lucas, em Cerejeiras, para passar por exames e avaliações médicas. O réu ficou internado neste hospital por mais de duas semanas e foi constantemente vigiado por agentes penitenciários da cadeia pública de Cerejeiras.
O FOLHA DO SUL ON LINE conversou esta semana com um dos agentes penitenciários que se revezavam em plantão para vigiar Azuílo no hospital. Segundo o agente, o réu realmente não falava e não andava. Quando precisava de água, o condenado pedia um copo do líquido através de acenos.
Agora, Azuílo saiu do hospital e passou a cumprir pena em regime domiciliar. Antes de sair da unidade, há informações de que o réu (que dizia que não falava) chegou até mesmo a xingar as enfermeiras que o assistiam. “Ele ficou bravo com as enfermeiras do hospital e xingou, dizendo que foi maltratado enquanto ficou lá”, diz uma fonte que pediu para não ser identificado.
O caso
O crime de Azuílo tem complicadores. Ele foi condenado por homicídio qualificado, acusado de matar com várias facadas a própria esposa dentro da rodoviária de Cerejeiras, às 6h00 da manhã, em 2006. A mulher tinha ido ao terminal bem cedo para tomar um ônibus quando, segundo o inquérito, o acusado a retalhou com uma faca. O casal tinha filhos já adultos e Azuílo não aceitava o fim do relacionamento com a mulher, segundo informações apuradas pela reportagem.
Quando cometeu o crime, o acusado chegou a fugir. Foragido, possivelmente na Bolívia, Azuílo foi preso alguns anos depois. Após ir para a prisão, sofreu um AVC e passou a cumprir pena em regime domiciliar.