Os agentes penitenciários de Cerejeiras também aderiram ao movimento grevista dos servidores da rede pública estadual. As principais reivindicações dos servidores penitenciários é por uma melhor remuneração e por melhores condições de trabalho.
Os profissionais agentes penitenciários cerejeirenses enfrentam desafios específicos, diferentes de outras regiões do Estado.
O primeiro destes desafios se trata de um início de motim que os agentes enfrentaram na quinta-feira, dia 2. Alguns presos ameaçaram se rebelar, mas a movimentação dos presidiários foi controlada pelos servidores da cadeia pública de Cerejeiras. Na sexta, dia 3, alguns dos presos se recusaram a voltar do banho de sol. Mas, mais uma vez, a atitude dos detentos não causaram maiores transtornos.
A direção do movimento grevista em Cerejeiras esclarece que os serviços essenciais aos detentos estão sendo atendidos.
O outro desafio enfrentado pelos agentes penitenciários cerejeirenses é que o local de trabalho deles, a cadeia pública de Cerejeiras, tem problemas específicos de estrutura e de força de trabalho.
A cadeia fica aos fundos da delegacia da Polícia Civil. A cadeia abriga 79 presos em apenas seis celas, sendo que uma das celas é feminina. O problema é que só há três servidores por plantão para atender a esta quantidade de presidiários. A lei de execuções penais 7.210 exige que dois agentes penitenciários para cada preso.
Um outro problema é a infraestrutura. Só há um banheiro para os servidores, e os agentes homens precisam dividir o banheiro com as mulheres. Há falta de material de trabalho e as condições infraestruturais da cadeia estão deterioradas.
Além disso, o governo estadual não está remunerando os servidores de acordo com o trabalho que exigem. O adicional insalubridade, por exemplo, que é obrigatório, não vem sendo pago aos agentes.
O delegado sindical Donizetti Ramos Pereira explica que a razão do movimento não é só por melhor remuneração. “Queremos que o governo honre os compromissos dele. Queremos melhor remuneração, mas, principalmente, melhores condições de trabalho. Queremos trabalhar com dignidade humana".
Além disso, Donizetti Ramos afirma também que o movimento pensa no bem-estar dos presos. “E que os reeducandos também possam paga sua cadeia humanamente , a unidade está super lotada e a quantia de servidor é insuficiente para atender as necessidades da instituição” penal cerejeirense.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, que pesquisa as condições de trabalho em todos os países, o agente penitenciário é a segunda profissão mais perigosa do mundo. O agente penitenciário convive diariamente com ameaças por parte dos presos, com rebeliões e tem de lidar com uma tensão que pode estourar a qualquer momento.
Além disso, as condições da cadeia brasileira é uma das piores do mundo. Os locais onde os presos cumprem pena é insalubre, fechado, tenso, malcheiroso. Esta realidade das cadeias afeta o equilíbrio dos servidores prisionais que precisam conviver com este fato todos os dias.
O governo não pode esquecer esta realidade e oferecer uma condição mais justa para o servidor prisional, pois eles convivem com uma realidade que, na maioria do tempo, a sociedade não consegue ver.