“Ah, eu não agüento ficar em casa sem fazer nada”, explicou o aposentado
O FOLHA DO SUL ON LINE encontrou, na manhã deste domingo, 26, perambulando pelas ruas de Vilhena, o catador de materiais recicláveis Valdomiro Alves Barbosa. Alegando estar apressado, ele concordou em conceder entrevista ao site, mas “só se for rápido, porque eu tô com pressa”.
Questionado sobre sua idade, foi impreciso: “acho que é 59... mas não tenho certeza”. Sobre a ajuda emergencial do governo federal para pessoas como ele, Valdomiro se mostrou bem informado: “não tenho direito, sou aposentado”.
O site quis saber, então, porque ele continua numa atividade tão penosa, se já tem a renda da aposentadoria: “Ah, eu não agüento ficar em casa sem fazer nada”.
Dentro do carrinho que empurra com esforço, o catador amontoa latinhas de cerveja, sacolas e todo tipo de plástico. O material é vendido para um atravessador no Setor 17.
Quanto ao faturamento, Barbosa se queixa: “antes, dava pra tirar até dois salários. Agora não dá é mais nada. O preço baixou e a gente nem encontra tanta coisa assim”.
Perguntado sobre os bonés seminovos estendidos na lateral do carrinho, o aposentado mostra que, tão grande quanto o sacrifício que faz, é a generosidade que cultiva: “achei no lixo e peguei pra doar a quem precisa”.
Concluída a entrevista, segue apressado para se livrar da carga.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 26 de Abril de 2020, às 10:33