Na manhã de ontem (terça-feira, 26), assim como há algumas semanas, motoristas que estavam à espera para carimbar a nota no Posto Fiscal de Vilhena, reclamaram que foram multados por terem estacionado seus caminhões no acostamento da BR 364.

 

Mas não é só: as reclamações se estenderam também às péssimas condições do pátio do Posto Fiscal. E as queixas realmente procedem, ao menos no que diz respeito ao estacionamento.

 

O problema é que, como o estacionamento do Posto Fiscal está em obras, um outro, improvisado, foi aberto ao lado. Mas, com o intenso fluxo de caminhões e as chuvas que caíram nos últimos dias, o local se transformou  num grande lamaçal.  

 

Segundo informações dos operários que trabalham na obra, na segunda-feira, 25, sete caminhões atolaram e tiveram que ser rebocados por uma retroescavadeira.

 

Já na terça, ocorreram quatro atolamentos. Nm deles, presenciado pelo www.folhadosulonline.com.br por volta de 12h00, o motorista Erlindo Gomes dos Santos, de 38 anos, depois de muito tempo tentando carimbar a nota, voltou ao seu caminhão e, quando pensou seguiria viagem, a carreta carregada de milho estava “plantada” numa possa de água.

 

Depois de alguns minutos tentando sair sozinho e de não conseguir, pediu ajuda a um dos funcionários que orientam os motoristas no pátio. O funcionário avisou o operador da retroescavadeira, que somente 45 minutos depois se dispôs a “desentalar” o veículo.

 

Para o motorista, a atitude do operador demonstra como a empresa lida com os profissionais do volante. “É uma falta de respeito com o ser humano, tiveram todo o tempo de seca para mexer com isso e não fizeram, e agora obrigam a gente a entrar nesse chiqueiro e ainda não dão assistência,” reclamou. 

 

O representante da empresa Construtel, Josué Crisóstomo, disse que a ordem de serviço foi assinada em 12 de julho, mas como houve um problema com o projeto, ele teve que ser devolvido a Porto Velho “para adequação”.

 

Como o retorno do projeto só se deu no inicio de setembro, as obras começaram no dia 10 de setembro e, segundo Josué, tem o prazo de 120 dias para serem concluídas. Ou seja, o drama dos caminhoneiros só acaba, se tudo der certo, no final de dezembro. 

 

Mas, o representante da Construtel disse que, “se a execução transcorrer sem problemas, até o final da próxima semana, a primeira etapa, o primeiro lado do estacionamento estará concluído e vamos tentar junto ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que é o responsável pela obra, a liberação para que os caminhões possam estacionar na parte pronta,” disse ele.

  

Mas no momento, e por mais um bom tempo, será comum ver carretas atoladas. E pior: pessoas preparando o almoço em meio a muita lama. Como é caso de Daniela Romitti, 24 anos, que enquanto aguardava o esposo carimbar a notar, fazia o “rango”.

 

A jovem viajante e o esposo são do Rio Grande do Sul, mas estão vindo de Mossoró (RN), e indo para Rio Branco (AC), onde descarregaram a carga de sal. “Isso é uma vergonha para o estado. Como se já não bastasse o tempo que demora, ainda não temos nem sequer um lugar adequado para parar, que dirá para fazer comida,” reclamou.

 

Pra findar, a Policia Rodoviária Federal disse que o motorista que estacionar irregularmente (ou seja, no acostamento da rodovia) será autuado, visto que há um estacionamento alternativo.