Pelo menos três notícias boas acabam se transformando numa perspectiva ruim para plantadores de soja da região do Cone Sul neste ano. Boa expectativa de clima favorável e a quase certeza do aumento de produtividade não têm sido o suficiente para animar agricultores desta safra, cujo plantio já se iniciou.
A primeira boa notícia é que a safra do grão nos Estados Unidos, neste ano, devido a um bom clima por lá, aumentou a produtividade e os americanos estão colhendo uma safra recorde.
A segunda boa notícia é que o clima aqui no Brasil, especialmente nas regiões Centro Oeste e Norte, está dando bons sinais de que as condições vão ser propícias para a lavoura de soja na safra deste ano de 2014.
Já a terceira boa notícia é que a área de plantação da soja aumentou de um ano para cá no interior do Cone Sul, especialmente na região de Cerejeiras, Corumbiara e Cabixi, onde mais pastagens estão dando lugar às lavouras. “Eu calculo que tenha aumentado em dois mil hectares a área plantada na região neste ano”, disse um agrônomo de Cerejeiras.
Essas três boas notícias, entretanto, têm desanimado plantadores da região. É que esses fatos positivos apontam para uma consequência óbvia: o aumento da produtividade.
E, com o aumento da produtividade, a queda de preço, devido a oferta ser grande diante da procura, é praticamente certo, ainda que não seja possível prever o tamanho da redução e dos lucros.
No ano passado, a saca de 60 quilos de soja era negociada na região sul rondoniense a R$ 57 (23 dólares). Hoje a mesma saca da oleaginosa está em torno de R$ 45 (17 dólares, a cotação do grão destinado à exportação é feita nesta moeda).