Monumento com nomes dos mortos foi erguido no local do confronto
Uma manifestação que percorreu a principal avenida de Corumbiara marcou na manhã deste sábado, 9, quando foram lembrados os 30 anos do violento confronto entre policiais e sem-terra, que deixou mortos durante a desocupação da lendária fazenda Santa Elina. O episódio ficou conhecido em todo o mundo como “Massacre de Corumbiara”.
O sangrento acontecimento registrado no dia 9 de agosto de 1995 foi lembrado em frente a Igreja Católica de Corumbiara, e alguns sobreviventes participaram do ato. Também havia universitários e professores de outros Estados. Um culto ecumênico foi celebrado no local do conflito, onde foi erguido um monumento com os nomes de todas as vítimas, civis e militares.
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou o sitiante Moacir Camargo Ferreira, hoje com 60 anos, que garante ter levado um tiro a queima-roupa, quando já estava preso em cima do caminhão da PM que trazia os sem-terra para Vilhena. Ele estava no palco do tiroteio tentando garantir um pedaço de terra.
A grande fazenda onde a tragédia aconteceu foi desapropriada e várias famílias instaladas em pequenos lotes, onde alguns ainda vivem até hoje. A violência daqueles tempos rendeu livros e filmes, e terminou com poucos envolvidos condenados na justiça (ENTENDA AQUI).
Moacir, conhecido como “Polaco”, atualmente dono de uma pequena propriedade no distrito de Vitória da União, pertencente a Corumbiara, diz que a região hoje “tá de boa”, sem conflitos agrários. E explica: “o sítio em que vivo hoje foi comprado pelo meu pai; não recebi terra do INCRA”.
Um dia após dar entrada no Hospital Regional de Vilhena ao ser baleado, Moacir e outros feridos no “combate” foram visitados pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que só viria se eleger presidente do Brasil 7 anos depois, e por outras lideranças petistas, como o ex-deputado federal Zé Dirceu, que estiveram na área onde os policiais e sem-terra se enfrentaram.