A arrecadação do município de Cerejeiras teve uma ligeira queda de 1% (isso mesmo, um por cento) na comparação entre julho deste ano e o mesmo período em 2012. Já no mesmo mês do ano passado, a arrecadação teve uma queda ainda pior. A informação é da Secretaria de Finanças do município.
Embora o percentual de queda na arrecadação cerejeirense seja pequena, os efeitos deste leve recuo é grave.
O FOLHA DO SUL ON LINE conversou com o contador Valdir Carlos, secretário de Finanças na administração do prefeito Airton Gomes, do PP.
De acordo com Valdir Carlos, a ligeira queda de 1% neste ano é dramática devido a dois fatores. Primeiro, porque em junho do ano passado (as finanças públicas são comparadas com os meses de julho de cada ano) a arrecadação do município de Cerejeiras já teve uma queda brusca, num ano em que ficou conhecido como “a crise dos municípios”.
E, em segundo lugar, a inflação de cerca de 6% neste ano torna a pequena queda de 1% ainda maior. “Além da queda da arrecadação, o município enfrenta a alta nos preços. Aumentou o preço de tudo”, diz Valdir Carlos.
Segundo o secretário de Finanças cerejeirense, a principal razão para a queda na arrecadação dos municípios tem origem no governo federal. No início do ano passado, no intuito de fomentar a economia brasileira, a presidente Dilma Rousseff, do PT, deu incentivos fiscais na linha branca, reduzindo (e, em alguns casos, zerando) o Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI.
Acontece que o IPI é um imposto arrecadado pelo governo federal e remetido aos municípios.
Valdir Carlos explica esta questão nas seguintes palavras. “O governo federal fez políticas com o dinheiro dos municípios”.
Ainda de acordo com o secretário de Finanças, alguns convênios da gestão anterior, do prefeito Kléber Calisto, do PMDB, já estão vencendo, o que agravou também as contas do município.
Por outro lado, Valdir Carlos afirma que a nova gestão vai reverter esta situação. “O prefeito Airton Gomes já conseguiu novos recursos, junto ao governos federal e estadual, bem como com deputados e senadores. Ele está correndo atrás de outros recursos e tenho certeza de que vamos superar esta fase”, diz o secretário de finanças de Cerejeiras.
Ainda segundo o titular da pasta de Finanças, a arrecadação do município só paga as contas de água, luz e folha de pagamento dos órgãos públicos municipais. “Para investimento em obras, o município precisa de recursos de fora, de convênios e de emendas”, explica Valdir Carlos.
Na semana passada, o próprio secretário de Finanças do município, bem como o prefeito e a vice, Lisete Marth, do PV, estiveram na Câmara de Cerejeiras para explicar a situação das contas públicas aos vereadores.