Quevedo deixou aviso para quem também enfrenta o drama da dependência química

O jornalista Mario Quevedo, uma das figuras mais conhecidas de Vilhena,  resolveu revelar, em seu perfil no Facebook, o drama que vem vivendo, e ao mesmo temo, anunciar uma decisão radical: internar-se numa clínica para dependentes químicos. Ele deixa a cidade nesta sexta-feira, 09, com destino a Pimenta Bueno, disposto a permanecer na Comunidade Terapêutica Vinde, pelo tempo que for necessário para se recuperar.

A luta de Quevedo contra as drogas é antiga: na bebida, ele diz ter iniciado aos 12 anos. Pouco tempo depois, experimentou maconha e engatou uma sequência de consumo de drogas mais pesadas. “Consumo crack há 22 anos. Ninguém dura tanto tempo fumando a pedra”, revela, com certa tristeza.

O problema do comunicador era conhecido, até porque algumas de suas peripécias movidas a entorpecentes foram divulgadas por ele mesmo. A situação se agravou, no entanto, após a morte da mãe, a servidora pública Roseli Bond, no ano passado. “Sempre que eu fazia uma bobagem, sabia que tinha para onde correr: a casa da minha mãe”.

Nos últimos 40 dias, Quevedo está morando na rua. Literalmente. Já dormiu na rodoviária e em prédios abandonados, muitas vezes convivendo com pessoas que, como ele, também lutam contra o vício. “Nunca tive medo de morrer. Assim como minha mãe, minha preocupação era viver jogado pelas ruas. Exatamente o que está acontecendo agora”.

Leitor voraz, dono de um talento inegável para a escrita e repórter com faro para notícias, Mario resolveu se tratar após ler, por acaso, uma entrevista do ex-jogador Walter Casagrande, numa revista que também encontrou sem procurar na recepção do escritório de um amigo. “O Casão disse, na entrevista, que não existe outro meio de combater o problema sem abrir mão de coisas que a gente quer. Entendi na hora a mensagem”, contou, referindo-se ao ex-craque, dependente químico como ele e que hoje é comentarista de TV.

LIÇÃO
Aos 53 anos, 43 deles morando em Vilhena, o jornalista reconhece todos os males físicos, mentais e morais que as drogas lhe causaram. E deixa um recado para quem acha que não enfrentará o mesmo drama persistindo no consumo dos entorpecentes: “Não se enganem: todos vão passar por isso se não conseguirem parar. Infelizmente, levei muito tempo para reconhecer isso. Mas, antes tarde do que nunca...”.