A colheita da soja está a todo vapor nas cidades do Cone Sul. Apesar das constantes chuvas que caíram na região nos últimos dois meses, a expectativa dos agricultores é de ter uma boa produtividade.
Quase um terço das lavouras da região já foram colhidos até agora, segundo fontes do setor. “Cerca de 20% das lavouras de soja de Cerejeiras e região já foram colhidas”, afirma o agrônomo Marciel Viana, da Boasafra.
Ainda segundo o agrônomo, a expectativa dos sojicultores é de ter boa colheita, apesar do excesso de alguns transtornos climáticos. “No final do ano passado teve uma estiagem e provocou certo dano nas lavouras, que a gente chama de estresse hídrico. Agora, no começo da colheita, houve muita chuva”, explica Marciel.
Na colheita deste ano, as primeiras sacas retiradas das lavouras contabilizaram perdas. Os plantadores tiveram alguns prejuízos iniciais na colheita da soja, mas a expectativa é de que estas perdas sejam apenas pontuais.
Na interpretação do agrônomo, a preocupação dos plantadores agora é com uma praga chamada ferrugem asiática, que aparece nas lavouras nos períodos demasiadamente chuvosos. “Mas os plantadores já estão usando defensivos contra a ferrugem. O único problema é que aumenta o custo, diminuindo a lucratividade final”, complementa o profissional.
Conforme foi noticiado pelo site FOLHA em outubro, o atraso das chuvas poderia retardar também o atraso do plantio do milho safrinha, que vem logo em seguida. O agrônomo confirma que isso ocorrerá. “O milho safrinha vai atrasar, sim, mas hoje o plantador pode trabalhar com uma janela de produção menor”, diz o agrônomo, referindo-se ao período vago entre o cultivo de um grão e outro, no caso, da soja e do milho. “O plantador de hoje é muito tecnificado. As empresas que atuam no setor os ajudam muito neste processo de lidar com os reveses natureza”, complementa.
Sobre a produtividade esperada, Maciel não avalia o quanto, mas oferece uma pista de cálculo. “No ano passado a produtividade aqui no interior do Cone Sul foi de 54 sacas de soja por hectare. Não podemos prever a produtividade exata deste ano, mas já sabemos que vai ser boa”.