A professora aposentada Roseli de Almeida Bond faz um silencioso, mas permanente e importante trabalho social há 14 anos.
Há uma fábula que relata um grande incêndio numa floresta. Os animais fogem em desespero, mas um beija-flor insiste em colher gotas de água numa poça e lançar contra as chamas. De passagem, o leão, rei da floresta, grita para ele: “Pra que isso, beija-flor? Você não vai conseguir apagar este incêndio”. O pássaro responde: “Eu sei, mas tô fazendo a minha parte”.
É este princípio que move pessoas como a pioneira Roseli, que reside em Vilhena desde janeiro de 1978. Funcionária aposentada da Seduc, trabalhou 25 anos na Escola Marechal Rondon. Desde jovem, uma das grandes paixões desta mulher é a arte das agulhas. Apesar de não ser muito boa com máquinas, quando se trata de produto artesanal, ela é fenomenal. O tricô é sua arte preferida. Depois de tecer dezenas de milhares de metros de lã ao longo da vida, fazendo desde sapatinhos de criança até colchas para casal usando apenas a criatividade, a habilidade e duas agulhas, há treze anos ela começou a aproveitar restos de novelos para confeccionar agasalhos para bebês, doando aos necessitados. Por muito tempo, a Casa da Gestante recebia tudo.
Hoje Roseli doa seus produtos para muitas entidades de Vilhena, de Rondônia e pelo Brasil afora. As toucas e sapatos mostrados na imagem têm como destino à ala infantil do Hospital de Câncer de Barretos. Ao todo, serão 54 peças, cuja lã foi comprada por ela, que as confeccionou uma a uma nas últimas semanas. “Não é muito, eu sei, mas de três a quatro vezes por ano eu entrego uma remessa dessas para alguma entidade. Meu coração também se aquece ao saber ajudei pelo menos algumas crianças a ficar um pouco protegidas do frio. Não vai mudar o mundo, mas com certeza dará um pouco de conforto para eles”, resume a professora aposentada.