Os plantadores de soja no Cone Sul reclamam da alta no preço dos defensivos agrícolas e dos adubos. Os dois produtos são indispensáveis para a lavoura e são fornecidas pelas multinacionais que atuam no setor de agronegócio.
No ano atrasado, segundo os próprios plantadores, a tonelada de adubo custava cerca de R$ 600. Hoje custa R$ 1.800 a tonelada. O preço do adubo, segundo este cálculo, triplicou em três anos.
O preço dos defensivos seguiu a mesma proporção de alta. Em três anos, os agrotóxicos também triplicaram de preço.
Um dos fatores que mais revoltam os plantadores é que a referência do preço dos defensivos e adubos é por saca de soja e não em moeda corrente, ou seja, não é em real. Por exemplo, o preço do adubo pode ficar em torno de 10 sacas de soja por hectare. Se a soja for a R$ 60 a saca, como este ano ela foi a este patamar, então o preço do adubo sobe na mesma proporção.
As empresas que vendem os adubos e defensivos em moeda utilizam outro expediente, dizem os agricultores. O plantador Edson Borges, que arrendou uma área de terras na região de Cerejeiras, explica: “Se a soja custar R$ 30 a saca, o preço do adubo é baixo. Se a soja sobe para R$ 60, o adubo sobe junto. Agora eu queria saber o que tem a ver uma coisa com outra”. O plantador, como tantos outros, desconfia que esteja sendo passado para trás. “Tem alguma coisa errada aí”.
A cada ano, a lavoura de soja passa por uma ou duas adubações e seis ou sete aplicações de defensivos. Por isso, os preços destes produtos são tão importantes na lucratividade do plantador.
As multinacionais afirmam que o preço do adubo e dos defensivos subiu devido ao aumento do custo do frete marítimo. Afirmam também que os produtos que fornecem aos agricultores do Cone Sul são todos importados e que os custos de importação brasileiros, em geral, estão aumentando.