Uma quantidade cada vez maior de agricultores aderindo ao grão transgênico, principalmente a de soja e do milho no Cone Sul. O principal motivo para tal aderência é a promessa de produtividade final.
A semente transgênica é uma espécie que foi alterada em laboratório. Erisson Fernandes, estudante recém-formado pelo Instituto Federal de Rondônia, o Ifro, afirma que o cientista, ao alterar uma determinada espécie, pega um gene de uma planta e transporta para outra. “Vamos supor que uma planta seja resistente à seca. Então o cientista pega o gene dela e implanta na soja. Assim, a soja será também resistente a seca, mas continuará sendo soja”, explica.
O problema, entretanto, é que há divergências sobre o grão alterado. Há estudiosos que são contra a novidade e afirmam que a espécie transgênica faz mal ao ser humano e ao meio ambiente. Outros, entretanto, afirmam o oposto: que o grão alterado pode dar lucratividade ao plantador e ajudar a alimentar o mundo.
“Não há evidências realmente comprovadas de nenhuma destas posições”, afirma Fernandes. “Os que argumentam a favor afirmam que a maior produtividade ajuda a saciar a fome do mundo”, complementa.
Já na posição dos contra, os argumentos parecem ser mais radicais, segundo o técnico. “A semente transgênica é oferecida por multinacionais que tendem a monopolizar a cadeia produtiva. Os defensivos agrícolas para plantação transgênica só funcionam quando fornecidos pela empresa que modificou e forneceu a semente. A semente não pode ser replantada, pois não nasce numa segunda semeadura”, explica o técnico. “Além disso, por ser mais resistente, o grão transgênico resiste à aplicação de mais defensivos. O agricultor aplica mais defensivos agrícolas e pode agredir o solo no longo prazo. Esses são os argumentos apresentados pelos que são contra”, explica Erisson Fernandes.
O fato é que, pelo sim e pelo não, plantadores do Cone Sul já aderiram ao transgênico. Agricultores ouvidos pela reportagem afirmam que muitos deles já cultivam de 5% a 10% das lavouras com o grão geneticamente modificado.
Entretanto, é bom lembrar que a maioria das grandes empresas compradoras de soja e milho que atuam em Rondônia ainda não compram grãos com alteração genética. Mas agrônomos ouvidos pela reportagem afirmam que isso é só uma questão de tempo, pois um dia toda empresa vai passar a comprar.
Um plantador ouvido pela reportagem, que achou melhor não se identificar, ficou encantado pelo grão modificado. “Eu vi um canteiro experimental em que a soja convencional foi plantada lado a lado da modificada. A lagarta comeu a convencional e deixou a transgênica. É incrível”, diz. E avisa: “Vamos plantar mais transgênico na próxima safra”.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
FS
Publicado em 17 de Maio de 2013, às 10:39