Dentro de uma proporção de porcentagem, somente 15% de toda a área plantada de milho em Cerejeiras pode ser alvo de certeza de que será colhida com sucesso. Pelo menos é isso que diz um dos mais antigos agricultores do município.
Como já foi noticiado por este site na semana passada, ainda há agricultores que estão plantando o milho safrinha. A data limite de segurança para se plantar o grão é de, no máximo, 15 ou 25 de março. Plantar agora é um risco extremo.
O plantador Edson Borges, que não tem uma área grande de lavoura, mas conta com longa experiência na atividade, afirma que muito pouco do milho plantado este ano poderá ser, efetivamente, colhido.
A razão é uma conjunção entre o atraso no plantio do grão, devido ao excesso umidade nos meses de janeiro a março, e também devido à falta de chuva que a região passou nas últimas semanas. Neste fim de semana, caiu bastante chuva na região do interior do Cone Sul, e talvez isso possa aumentar as chances de colheitas futuras neste ano.
“O milho não gosta de muita água, mas também não cresce sem ela”, explica Edson. “Já tivemos uns dez dias de sol e uma leve friagem no momento em que mais precisávamos da chuva. Pelos meus cálculos uns 15% do milho está realmente salvo da certeza de perdas. Os outros 85% estão dentro do risco extremo”, diz.
O resultado possível, segundo o plantador, é que a maioria dos agricultores que arriscaram no milho este ano não vão colher o grão. Há produtores que tem lavouras em diversos estágios de crescimento (FOTO), pois plantaram o grão em dias diferentes.
O milho safrinha é plantado logo em seguida à cultura da soja, num processo de cultivo chamado “rotação de cultura”. Acontece que a colheita da soja foi até muito tarde neste ano, atrasando mais ainda o plantio do milho. Estes fatores podem alterar os resultados do safrinha para pior.