Ambos os garotos disseram ser a única fonte de renda de suas famílias
 
Na tarde ensolarada e calorenta desta quinta-feira, 02, o FOLHA DO SUL ON LINE encontrou, na região central de Vilhena, dois adolescentes vendendo picolés. Sentados numa esquina vazia da avenida José do Patrocínio, os meninos de 15 e 17 anos, moradores do bairro Bodanese, contaram que vivem apenas com as mães.
 
O mais novo, que tem outros três irmãos, disse que a mãe “tá de resguardo”, cuidando do bebê. Antes, ela trabalhava num lavador de carros, que foi fechado por causa da pandemia de Covid-19.
 
O mais velho, cuja mãe era empregada doméstica, contou que ela foi demitida antes do vírus provocar o fechamento da maior parte das empresas locais. “Ela machucou o pé e agora fica em casa”.
 
Os garotos disseram estar cientes de que ambulantes como eles não podem trabalhar na cidade, segundo a decisão municipal, mas explicam que são, neste momento, a única fonte de renda de suas famílias. Se pararem, argumentam, a “coisa piora...”
 
Trabalhando no sistema “meio-a-meio”, o que significa que metade das vendas é o faturamento que lhes cabe, os pequenos picolezeiros revelaram que, “num dia bom”, podem ganhar até R$ 50.
 
“Deus abençoe o senhor, tio”, despediu-se o mais novo, vestindo uma camiseta com o nome do jogador multimilionário de futebol, Neymar Júnior, e agradecendo o repórter, após o profissional da FOLHA também infringir a regra, escolhendo um picolé sabor leite condensado.