Debates se intensificam no mundo virtual

A Operação Stigma, deflagrada recentemente pela Polícia Federal em Vilhena, e que já levou para a cadeia três secretários municipais, um servidor e um advogado, provoca um efeito colateral devastador na cidade: uma enorme onda de boatos, potencializada por grupos no WhatsApp e por perfis nas redes sociais.
Principalmente aos finais de semana, quando costumam ser feitas prisões, o mundo virtual local ferve, mobilizado por pessoas realmente indignadas com os indícios escancarados de corrupção, e por outras que parecem se divertir, tripudiando de quem foi apanhado em situação suspeita.
A Polícia Federal age conforme é sua tradição: evita estardalhaços e não fornece muitas informações, já que detalhes de depoimentos e mesmo de delações premiadas podem atrapalhar as investigações. O MPF se manifesta, e também evita expor nomes, mas avisa: o escândalo de corrupção em Vilhena pode tomar proporções assustadoras, pelo volume de dinheiro desviado e pelos métodos empregados.
Mas é longe das fontes oficiais que a coisa pega fogo: nesta semana, por exemplo, em grupos no aplicativo para celular era anunciada a prisão de um empresário, que não aconteceu. O nome do cidadão foi exposto para milhares de usuários do WhatsApp, enquanto se mencionava possíveis alvos de novas prisões.
Com as informações falsas circulando livremente, a tensão paira sobre toda a cidade, e estimula a fofoca real, aquela que passa de boca-em-boca e que também enlameia reputações sem deixar rastros. É comum encontrar pessoas que, dizendo ter fontes dentro das entidades que atuam no combate à corrupção, revelam supostos esquemas envolvendo personagens cujos nomes ainda não apareceram nos inquéritos.
E é em meio desse emaranhado de revelações relevantes e outras que não passam de puro delírio, que a PF e o MPF agem. Até aqui, ambos os organismos têm conseguido separar os mexericos de fatos reais, e feito com que as apurações avancem sem provocar injustiças.