Morando desde fevereiro deste ano em Lahore, cidade considerada a “capital cultural” e uma das mais bonitas do Paquistão, a vilhenense Everyn Palhares enfrenta um problema que já lhe fez perder várias oportunidades profissionais: o idioma. Por ainda não dominar totalmente o inglês e não ter fluência no idioma local, o “Urdu”, a colunista social, que mantém um blog na Internet falando sobre sua vida no país muçulmano, não pôde assumir a gerência de marketing de uma empresa local e nem dirigir um salão beleza, onde poderia pôr em prática seu talento como maquiadora. Mas pretende fazer muitos cursos na área de beleza e maquiagem, para que em sua proxima visita ao Brasil, para passar uma temporada de no mínimo dois meses,  possa apresentar as muitas novidades do oriente às clientes que deixou em Vilhena.

A cidade onde Everyn está morando tem cerca de 8 milhões de habitantes e fica a 120 quilômetros de Islamabad, capital oficial do Paquistão. Lahore fica faz divisa com Índia e, de vez em quando, segundo Everyn, registra alguns atos de terrorismo, embora sejam mais raros nessa regiao. Aliás, junto com o calor, o problema da crise energetica que o pais enfrenta e a ação de grupos extremistas, sao algumas das coisas que a maquiadora mais odeia em sua nova vida.

Casada com o jovem executivo de uma multinacional do ramo farmacêutico, Everyn se converteu ao Islã, ainda antes de deixar o Brasil. A conversão aconteceu numa mesquita, em São Paulo, quando a neo-muçulmana participou de uma “Shahada”, cerimônia em que o fiel lê uma declaração, em árabe, em frente a duas testemunhas (adeptos da religião, naturalmente) reconhecendo que não existe outro Deus além de Allah, cujo único mensageiro é o profeta Mohammed.

Apesar da saudade da familia, amigos e de seu trabalho, Everyn diz se sentir muito feliz na nova terra, mas ainda estranha alguns hábitos. As roupas, por exemplo, são muito diferentes das que ela costumava usar em Vilhena. Além disso, não se usa papel higiênico no Paquistão, onde cada banheiro dispõe de uma ducha, o chamado “chuveirinho íntimo”, que na verdade e ate mais higienico. Por lá também é não se pode comer com a mão esquerda. A “Maya vilhenense” tambem ganhou um novo nome, pelo qual e chamada por todos, Mishal, que significa “A Luz”.

 

Apesar dos transtornos, no entanto, a vida da vilhenense é tranqüila e confortável, já que seu marido, filho da elite paquistanesa, não conserva hábitos tão conservadores quanto se observa em filmes e novelas que retratam os países muçulmanos. A brasileira também faz sua parte: incorporou aos seus hábitos o consumo do “chae” (chá com leite) e já manda bem na cozinha, preparando pratos típicos paquistaneses.

 

AMOR SEM FRONTEIRAS – Everyn conheceu o jovem marido através da internet. Entre engatar o namoro e trocar alianças, a moça levou menos de três anos. E garante que fez a escolha certa, pois recebe carinho e atenção do seu “principe paquistanês”, que entre outras novidades pouco vistas no sisudo mundo árabe, lidera uma banda de rock. Are baba!