Moradora aponta falhas no atendimento especializado e suposta perseguição institucional contra sua família
Durante sessão na Câmara Municipal de Vilhena esta semana, Luciana Alberta Rosa da Silva, mãe de quatro filhos atípicos, aproveitou a sessão legislativa para expor as dificuldades enfrentadas por ela na busca por acesso a serviços públicos de saúde.
O relato detalhou a precariedade no acompanhamento de sua filha, Maria Victória, que possui diagnóstico de surdez congênita bilateral profunda, e Transtorno do Espectro Autista nível 2 de suporte.
Segundo o depoimento da mãe, Maria Victória passou por um procedimento de implante coclear em fevereiro de 2024. A mãe relatou que, após procedimento, seria necessário o acompanhamento contínuo de um fonoaudiólogo para evolução do quadro, o que não ocorreu na prática.
"Nos últimos dois anos e dois meses, ela teve exatamente dez sessões em cada ano", denunciou Luciana, evidenciando a descontinuidade do tratamento essencial.
Em entrevista ao jornal FOLHA DO SUL, Luciana aprofundou as críticas à gestão da saúde local, e afirmou que, além da escassez de especialistas, há indícios de uma postura que considera incorreta.
De acordo com a mãe, a coordenação do Centro Especializado em Reabilitação (CER) teria orientado profissionais da unidade a não prestarem atendimento à sua filha e a outras pessoas com diagnósticos de TEA.
Para a denunciante, a postura da administração municipal resulta em uma sobrecarga física e emocional para as famílias atípicas. Ela ressaltou que conquistas como a implementação do CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) foram frutos da sua luta na busca pelos direitos dos seus filhos, e não de iniciativas espontâneas do poder público.
Luciana, que também atuou para a criação de um Centro de Libras na Educação Infantil, rebateu críticas de que seria "beneficiada" por suas conquistas, reforçando que cada direito assegurado é fruto de desgaste pessoal.
"O que eu passo diariamente só veem quando consigo alguma coisa. Não me dói mais no coração, me dói na alma. A maternidade atípica não é pesada; pesada é a falta de empatia e acolhimento", concluiu.
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Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 08 de Maio de 2026, às 05:48