Um “casamento”. Casados para sempre. E infelizes! É assim que estão se sentindo os proprietários de carros e motos usados do interior do Cone Sul ultimamente, especialmente aqueles que sonham com uma façanha cada vez mais difícil de alcançar: vender o veículo. Ou seja, o “divórcio” é um sonho que está ficando distante.

O FOLHA DO SUL ON LINE conversou, nas duas últimas semanas, com proprietários e vendedores de veículos, seja carros ou motos, em duas cidades do interior do Cone Sul: Cerejeiras e Corumbiara. As marcas dos veículos e os nomes dos proprietários, e também dos vendedores, bem como das empresas em que esses trabalham, serão omitidos, por entendermos que tal menção não é necessária.

Em Cerejeiras, o proprietário de um veículo “utilitário”, de marca conhecida, tenta vendê-lo deste setembro do ano passado. O carro, ano 2007 e com mais de 100 mil quilômetros rodados, não encontrou um comprador interessado. “Somente trocas em outro carro velho”, disse o proprietário. Por fim, o dono do veículo cadastrou a venda num site nacional de classificados. Em dois dias, nada de contatos de interessados.

Também em Cerejeiras, a proprietária de um veículo “hatch” intermediário, cujo modelo novo custa na faixa R$ 50 mil, colocou-o a venda por R$ 27 mil. Não encontrou proposta para o carro, baixou o preço para R$ 22 mil – e nada. Por resto, achou R$ 17 mil no veículo encalhado, ano 2009. “Por esse preço, não vendo. Decidi que ficar com ele”, disse a dona, que já arrancou a placa de venda do carro.

Nem todo carro usado está ruim de vender. As versões de carros populares com motor 1.0, mesmo os fora de linha, são ainda bastante vendáveis.

A reportagem do site acabou deparando também com uma situação inusitada. As motos, que até pouco tempo eram vendáveis como água no deserto, estão também “encalhadas”. Nem mesmo as concessionárias de uma marca famosa não compra mais moto usada. Muito menos as pega como um valor de entrada num financiamento ou consórcio de uma zero quilômetro.

“Moto usada está ruim de vender. Não trabalhamos mais com motocicletas velhas. Só novas”, disse um vendedor de Corumbiara. “A facilidade de comprar uma nova é muito grande e todo mundo que uma zero quilômetro”, diz o mesmo vendedor.

A explicação acima parece também ser a mesma para os carros. A facilidade de financiar um veículo, as longas prestações e o incentivo do governo federal para que a classe média andasse “motorizada” acabou travando as vendas dos usados. Pesa também nessa balança o fato de que carros com mais de 10 anos de uso não são aceitos pelos bancos nos programas de financiamentos de veículos.