Há mais de dois anos, donos de terras no distrito de Boa Esperança, que fica a 150 quilômetros de Vilhena (mas que pertence a Chupinguaia), vêm sendo assediados por um grupo empresarial interessados em adquirir parte de suas propriedades. O contato com os fazendeiros e sitiantes da localidade é feito por um engenheiro bastante conhecido em Vilhena.
De acordo com uma sitiante da região, o que tem sido informado aos agricultores para justificar o interesse pelas terras é a construção de uma usina hidrelétrica, que aproveitaria a água do rio Pimenta, que corta o distrito. O empreendimento seria dividido entre oito grandes empresas de Belo Horizonte (MG), que custeariam a construção e, depois, gerenciariam a usina.
Por causa da falta de informações mais detalhadas, os fazendeiros estão se recusando a aceitar o negócio. Muitos acham que o preço oferecido pelo aqueire da terra (a oferta feita pelos interessados é de R$ 7.500,00) não atende os interesses da categoria. Há, aliás, a expectativa de que o valor das propriedades suba, já que a usina só pode sair se várias áreas forem adquiridas. É que, para formar a barragem da hidrelétrica, uma imensa área de pastos e lavouras terá que ser alagada. Apesar da esperança, os que têm menos condições estão quase aceitando a transação. Os negócios só não foram fechados porque os outros insistem em esperar mais e garantem que a valrização virá com o tempo.
Embora participem de reuniões com os representantes dos donos do empreendimento, os agricultores e pecuaristas de Boa Esperança não conseguem obter maiores detalhes sobre a obra. “Enquanto não explicarem direitinho esse negócio, duvido que alguém aqui venda sua propriedade”, diz um morador. Entre os donos dos imóveis, aliás, já começa a se solidificar uma convicção: só haverá negociação por consenso, a fim de que os preços sejam iguais para todos.