O superintendente de Turismo de Rondônia, Júlio Olivar, e o comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, general Ubiratan Poty, se encontraram recentemente para tratar sobre a revitalização de um marco histórico esquecido em Porto Velho. Trata-se do túmulo do lendário Major Amarante, que junto com seu sogro, Marechal Cândido Rondon, desbravou e mapeou toda a área que hoje compreende Rondônia.
 
O mausoléu está no Cemitério dos Inocentes.  A convite de Olivar,  fizeram uma visita técnica ao local a presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia, Yêdda Borzacov, e o historiador Abnael Machado. Eles ajudaram a localizar o túmulo, que se encontra sem nenhuma inscrição, pois a placa de bronze identificando-o foi furtada.
 
A 17ª Brigada se comprometeu a promover a reforma e inaugurá-lo em solenidade oficial, conforme as normas do Exército Brasileiro. A Setur irá providenciar a lápide, biografia e o busto do homenageado, para ser distribuída na ocasião. O túmulo também irá figurar do circuito oficial de turismo, chamado “Caminhos de Rondon”, que engloba todos os resquícios da passagem da lendária Comissão Rondon (1907/1915) e as consequências da expedição militar no desenvolvimento da região, a partir de Mimoso, sua terra natal, até a região de Santo Antônio do Rio Madeira.
 
Engenheiro e matemático, Major Amarante produziu importantes relatórios implicando várias ciências, como antropologia, estudos da fauna e flora e geografia de Rondônia. Os documentos se encontram no Centro de Documentação do Estado e nos arquivos do IHG-RO.
 
Amarante viveu seus últimos meses de vida na extinta cidade de Santo Antônio do Madeira, que ficava a 7 km de Porto Velho. Na ocasião de sua morte, aos 49 anos, ele era o diretor regional do distrito telegráfico que ajudou a integrar toda essa região que hoje compreende RO ao restante do Brasil.
 
Em 1930, Rondon esteve no Cemitério dos Inocentes para visitar o túmulo de seu genro e fiel colaborador, Major Emanuel Silvestre do Amarante – que, aliás, é denominação da principal avenida de Vilhena e da rua em que está a Assembleia Legislativa de Rondônia. Major Amarante morreu vítima de infecção tífica, em 8 de agosto de 1929; fazia apenas quatro meses que era chefe do distrito telegráfico. Ao discursar sob o túmulo, na presença das principais autoridades locais, Rondon ficou emocionado e chorou se referindo a Amarante como seu braço direito. Tudo foi documentado em película e na cobertura feita pelo jornal Alto Madeira. Genro e fiel escudeiro, ele foi pai do primeiro neto de Rondon, com sua filha Aracy, nascido em 1915.  Rondon teve a informação do nascimento do menino Emanoel por telégrafo; ele recebeu a mensagem no posto de Vilhena, cuja construção existe ainda hoje e é conhecido como Casa de Rondon.