A transferência de apenados da Casa de Detenção de Vilhena para a Penitenciária Federal de Mossoró (RN) foi marcada pela imprecisão de informações repassadas à imprensa. Ontem à tarde, o presidente do Conselho da Comunidade da Comarca de Vilhena, Ivanir Aguiar [que também se apresentou como assessor da Vara de Execuções Penais] telefonou aos principais veículos de comunicação da cidade para informar que a partida dos presos, saindo do Aeroporto Brigadeiro Camarão, seria às 10h. Segundo ele,  os jornalistas poderiam cobrir a operação.

No entanto, quando alguns repórteres chegaram ao local, pouco antes do horário previsto, receberam a informação de que o avião havia decolado por volta das 8h30.

Em entrevista à FOLHA, o diretor da Casa de Detenção de Vilhena, João da Mata Costa Neto, explicou que ele mesmo foi “pego de surpresa” com relação aos horários. “O pessoal da Força Nacional, que veio levar os apenados,  me disse que estaria aqui [na Casa de Detenção] às 6h30, mas por volta das 5h já entrou em contato para realizar a missão. A princípio, o avião só chegaria hoje [quinta] de Porto Velho, mas desde ontem ele já estava na cidade, mas tudo foi muito positivo e saiu em conformidade, sem nenhum problema”, explica.

Até o aeroporto, os detentos foram conduzidos em um ônibus emprestado pela Secretaria Municipal de Educação, com escolta da Polícia Militar. Eles receberam instruções e foram informados que seriam levados para um lugar salubre e digno à condição humana (diferente da Casa de Detenção, cujo contingente, de 256 pessoas = quatro vezes o quantidade adequada).

Em Mossoró, cada preso ficará em um cômodo com banheiro individual, cama e mesa.

A escolha da penitenciária nordestina como destino dos condenados vilhenenses se deu através de um convênio entre a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e Governo Federal.

 

HORÁRIOS TRUNCADOS E PROTESTO ISOLADO –  O diretor da Casa de Detenção, conhecido como Da  Mata, acredita que as mudanças de última hora foram algo “normal”. Nenhum  preso sabia, por antecipação, o que iria acontecer. “Eles receberam a informação [de que iriam para o Rio Grande do Norte] hoje de manhã. Não houve qualquer esboço de reação”, garante. Os presos embarcaram com a roupa do corpo e apenas mais uma troca.

À porta da Casa de Detenção, compareceram pelo menos oito familiares, mas apenas a mãe de um deles protestou, aos gritos, contra a transferência. A senhora repetia que o filho era “gente boa”, que precisava de uma oportunidade e que não achava justo levá-lo para tão longe de seus familiares. O filho da manifestante é condenado por homicídio e assalto à mão armada.