Pelo menos 60 pessoas debilitadas por tendinite e mutilações, trabalho análogo à escravidão, cinco mortes por atropelamento e uma por acidente de trabalho e até agiotagem dentro da fábrica, praticada com o aval da direção da empresa.
Os detalhes serão apresentados em reportagem na edição impressa da FOLHA, dia 29. As queixas são apenas algumas das tantas contra o a unidade de Vilhena do Grupo JBS-Friboi, um dos maiores frigoríficos do Brasil, com cerca de 1700 funcionários que exporta carne para várias partes do mundo.
Treze funcionários da indústria “encostados” pelo INSS estiveram ontem na redação do www.folhadosulonline.com.br para denunciar o que chamam de \"desrespeito, autoritarismo e intimidação\". Eles fazem parte do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Frigorífica do Estado de Rondônia, fundado no município no último dia 16. “Existe hoje um exército de mutilados pelo Friboi em Vilhena”, acentuou Antônio Acácio Amaral, presidente estadual da Força Sindical, central à qual o sindicato está filiado.
O índice de pessoas com lesões por esforços repetitivos é alto. A reportagem teve acesso a vários atestados e exames médicos constatando a gravidade do problema.
A alimentação é intragável, segundo os denunciantes. Um deles comenta: \"É pior do que a fornecida no presídio\". O cardápio inclui dobradinha, feijão velho, alface com caramujo.
Além do tarefas pesadas e os salários baixos [a curva salarial gira em torno de R$ 479], as condições de trabalho no frigorífico são arriscadas – só recentemente começaram a fornecer luvas apropriadas e aventais; o transporte de sacos de 40 kg de farinha de ossos, nas costas, é feito num piso não apropriado que já derrubou várias pessoas, resultando em graves problemas na coluna delas. Existe um centro de fisioterapia no local, mas os trabalhadores alegam que é \"apenas para despistar\" a falta de atenção à saúde deles. \"Só temos acesso uma ou duas vezes por semana durante uns 15 minutos\".
Soma-se a este quadro a exclusão no contrato firmado entre um outro sindicato já estabelecido e a parte patronal dos direitos ao vale-transporte e à cesta-básica. “Os trabalhadores recebem estes benefícios como se fosse uma bondade da indústria, não há nada formalizado. O sindicato agiu por conta própria, não consultou os trabalhadores”, garante Amaral.
Ninguém da indústria em Vilhena se manifesta sobre as possíveis irregularidades