Tocatinense de Pedro Afonso, mas morando em Caruaru (PE) com a mulher e os dois filhos, de 6 e 7 anos, o ex-pedreiro Adailton Lima Braga, 38, está em Vilhena desde segunda-feira. Em companhia de um amigo pernambucano, o rapaz de fala mansa e jeito humilde percorre a cidade levando um banquinho nas mãos e, nas costas, um saco pesando 15 quilos. O recipiente, carregado de castanhas de caju, é a fonte de renda do rapaz.
Segundo Adailton, em virtude da falta de empregos na cidade pernambucana, conhecida por sua enorme feira livre, ele se viu obrigado a buscar outros meios de sustentar a família. Assim, há três anos compra as castanhas na cidade de Itabaiana, em Sergipe, e vende em várias cidades do Brasil. Esta é a primeira vez que passa por Vilhena, mas é sua terceira vinda a Rondônia.
Sobre os lucros, o vendedor prefere ser econômico: “Dá pra sobreviver”, diz, sem revelar quanto ganha. De acordo com ele, os 600 quilos do produto, já torrado, são trazidos em bagageiros de ônibus. Tirando a despesa da passagem, da “bóia” e da hospedagem (geralmente em hotéis simples), o autônomo fatura o suficiente para não precisar recorrer ao crime, como é comum em regiões onde impera o desemprego. Diz que fica até três meses longe de casa e sente muitas saudades dos filhos, “mas fazer o quê, né?”. Neste ano, já decidiu: passará o Natal longe da família. “A mercadoria já está aqui e ´precisamos acabar com o estoque antes de retornar”, diz. Em compensação, se tudo correr bem, quando voltar para Caruaru, vai ficar um mês curtindo a vida doméstica.