Policiais da Delegacia Municipal de Várzea Grande apreenderam uma carreta que transportava cerca de 150 caixas de tênis e sapatos de marcas falsificadas. A apreensão aconteceu no final do mês de novembro, no bairro Mapim. O motorista do veículo, Vicente de Paula Ferreira, 49, foi preso e pode responder por crimes contra a ordem tributária e industrial.

Esta foi segunda apreensão realizada no município este ano. A operação, denominada "Clone 2", é sequência das investigações iniciadas em setembro, quando os policiais apreenderam mais de 6 mil tênis, sapatos e sandálias pirateados. A mercadoria vem da mesma região da primeira apreensão, o município de Nova Serrana, em Minas Gerais.

A carreta Scania 113, vermelha, placa de Várzea Grande, e o semireboque, placa de Cuiabá, foram carregados em Minas Gerais, mas para burlar a fiscalização, o motorista tinha uma nota fiscal de materiais de ferragens. No veículo foi encontrada uma pequena quantidade de ferros.

O chefe de operações, Edson Leite, acredita que haja empresários no meio do esquema, que usam nomes de "laranjas" na abertura de empresas e na compra dos produtos. "Com a clonagem de tênis eles acabam burlando a fiscalização e praticando crimes contra a ordem tributária e contra o consumidor, que pensa que está comprando um produto de marca, mas na verdade está adquirindo um falsificado", disse.

Parte da mercadoria tinha como destino lojas e comelôs da Capital e de Várzea Grande e outra seria entregue a lojistas da cidade de Vilhena. A polícia estima que, em média, 10 carretas chegam em Mato Grosso todos os meses com mercadoria falsificada.

O delegado Miguel Rogério Gualdas Sanches disse que será aberto inquérito policial para apurar crimes contra a ordem tributária e industrial. A Secretaria de Estado de Fazenda também será comunicada para aplicação de multas e formalizar o auto de apreensão administrativo. O delegado informou ainda que vai requisitar perícia no material apreendido.

EM VILHENA – O www.folhadosulonline.com.br tentou descobrir, sem sucesso, quem seriam os vilhenenses compradores da mercadoria apreendida no Estado vizinho. O site entrevistou o empresário Jones Vanderlan, dono da Sport Total, a maior loja de artigos esportivos da cidade, que disse não ter ficado surpreso com a revelação do destino dos produtos piratas. Sem citar nomes de pessoas ou empresas, Vanderlan diz que também suspeita da ação de falsários no segmento que atua. “Só vendo produtos originais, que obviamente custam um pouco mais que os outros”, disse, aconselhando o consumidor a desconfiar de preços muitos baixos cobrados por mercadorias de grife. Segundo Jones, todas as lojas compram das mesmas indústrias e o melhor meio para identificar possíveis fraudes é observar os valores cobrados: “Se um tênis custa R$ 100 numa loja e R$ 60 em outra, alguma coisa estranha acontece”. Para o empresário, os falsificadores estão se tornando cada vez mais hábeis em copiar as marcas famosas. “Há casos em que uma pessoa que não é do ramo dificilmente percebe a diferença entre o original e o pirata”, revela.